Zapping, Gata e o Fim do Seráo Depois do jantar, sentamo-nos os dois na sala para ver um filme ou uma ou duas séries. A gata instala-se no meu colo, como já é hábito. Um ritual silencioso, quase cerimonial. Vemos qualquer coisa. Às vezes bom, às vezes apenas passável. Mas juntos. E quando começam a aparecer os créditos finais — os nomes dos actores, dos técnicos de luz, dos duplos e dos que seguraram o microfone — a gata levanta-se. Sem alarme. Levanta-se e salta para o chão. Sabe que acabou o serão. Sabe que eu me vou levantar a seguir. E ela vai comigo. Não porque eu queira ir. Mas porque ela quer ficar na sala — sozinha — a ver aquilo que para mim é o início do surrealismo doméstico: os royalty shows , concursos de remodelações, jantares de celebridades, casamentos de desconhecidos. É aí que começa o zapping. O zapping dela. Ou melhor: o dela com o comando na mão e eu a tentar não me irritar. “A notícia de última hora dá conta de um atentado em…” ZAP “Investiga...