A Cumplicidade Política dos EUA no Genocídio em Gaza October 7, 2025 / Pedro Baptista / Edit Desde outubro de 2023, os Estados Unidos canalizaram mais de 21 mil milhões de dólares em apoio militar a Israel. Os números, divulgados pelo Projecto Custos da Guerra da Universidade Brown, não deixam margem para dúvida: trata-se de um financiamento maciço, contínuo e consciente. Numa altura em que relatores especiais da ONU, juristas internacionais e organizações de direitos humanos afirmam já abertamente que em Gaza decorre um genocídio , a questão deixa de ser apenas moral — torna-se também política e jurídica. A cumplicidade política dos EUA não se mede apenas pelo fluxo de dinheiro e armamento, mas pela persistência deliberada em apoiar um Estado que viola sistematicamente o direito internacional . Washington tem vetado sucessivas resoluções do Conselho de Segurança que pediam cessar-fogo ou investigações independente...
Mensagens
A mostrar mensagens com a etiqueta EUA
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Terroristas de conveniência September 18, 2025 / Leave a comment / Edit Donald Trump encontrou no assassinato de Charlie Kirk a oportunidade perfeita para reforçar a sua narrativa: a esquerda como inimigo interno a abater. Ao classificar o antifa como “organização terrorista”, não está a combater o terrorismo — está a fabricar um rótulo conveniente que lhe permite silenciar vozes críticas. O problema é evidente: o antifa não é uma organização formal, não tem sede, líderes ou estatutos. É um espantalho útil, um saco onde se pode meter tudo e todos. Militantes em protestos, ativistas progressistas, críticos incómodos ou até humoristas como Jimmy Kimmel — qualquer um pode ser empurrado para dentro desse rótulo. Trata-se de uma jogada política calculada. Não importa se a designação tem base legal ou eficácia prática; importa que cria medo e disciplina. Quem se atrever a contestar arrisca-se a ser associado ao “terrorismo”. É assim que...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
MAGA e o Hambúrguer Dourado September 14, 2025 / Leave a comment / Edit Os EUA decidiram impor tarifas de 50% às mercadorias importadas do Brasil. A medida, justificada em nome da “MAGA” e da defesa do produtor nacional, tinha um objetivo claro: fortalecer a economia interna. Mas, como tantas vezes acontece com o protecionismo, a realidade saiu ao contrário da propaganda. A carne brasileira — sobretudo a moída, indispensável para o hambúrguer quotidiano de milhões de americanos — deixou de chegar em grandes volumes. O resultado foi imediato: menos oferta, mais preços. Somada à seca e a outros constrangimentos locais, a conta final caiu sobre o consumidor norte-americano, que agora paga mais por um produto que sempre considerou banal. Do outro lado, o Brasil não só não perdeu, como ganhou. Redirecionou exportações para a China e outros mercados asiáticos, diversificou clientes e saiu reforçado, menos dependente do humor político de Washington. A gran...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
O preço da liberdade armada September 12, 2025 / Pedro Baptista / Edit Charlie Kirk tornou-se, ao longo da última década, uma das vozes mais conhecidas do conservadorismo norte-americano. Fundador do movimento Turning Point USA , foi um comunicador hábil e influente junto das novas gerações, defendendo valores tradicionais, a primazia do mercado e, sobretudo, o direito constitucional de portar armas. A sua posição sobre este tema era inequívoca: considerava que as vítimas de tiroteios constituíam um “preço inevitável” a pagar pela preservação da liberdade individual de possuir uma arma. Para Kirk, qualquer tentativa de restringir o acesso às armas significava limitar a essência da cidadania americana. No dia 11 de setembro de 2025, Kirk morreu baleado em Utah. A sua morte acrescenta um dado incontornável ao debate: mesmo os mais fervorosos defensores do armamento civil estão expostos à violência que essa política tem permitido alimentar. O epis...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
O Padrão Americano: Como pretextos justificam ações mais amplas A política externa dos EUA, em particular durante a administração Trump, demonstrou uma tendência para usar acusações criminais, como as de narcotráfico, como justificação para ações militares e económicas mais amplas. O caso da Venezuela encaixa-se neste padrão, sugerindo que a "luta contra as drogas" pode ser apenas a ponta do icebergue. A Venezuela como estudo de caso O uso da força contra a Venezuela não foi um incidente isolado. Veio na sequência do envio de navios de guerra e milhares de fuzileiros navais para a região, acompanhado do aumento da recompensa pela captura de Nicolás Maduro. Tudo isso faz parte de uma estratégia de pressão total sobre Caracas. A asfixia económica é outro fator evidente. Trump já tinha imposto tarifas pesadas sobre o petróleo venezuelano e retirado a licença da Chevron, visando reduzir as receitas do regime e cortar os seus laços económicos com países como a China. Além di...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
GREAT Trust: Reconstrução ou Limpeza Étnica Disfarçada? Nos últimos dias, veio a público um plano norte-americano para o pós-guerra em Gaza, conhecido como GREAT Trust ( Gaza Reconstitution, Economic Acceleration and Transformation Trust ). O documento, revelado pelo Washington Post e confirmado por várias fontes internacionais, descreve uma proposta de 38 páginas para transformar Gaza em pólo turístico e tecnológico. À primeira vista, soa a promessa de modernidade; ao olhar de perto, levanta sérias acusações de violação dos direitos humanos. As promessas de futuro O plano fala em “cidades inteligentes” com inteligência artificial , fábricas de automóveis elétricos, centros de dados e hotéis. A administração do território ficaria durante dez anos nas mãos deste fundo, antes de ser entregue a uma “entidade palestiniana reformada e desradicalizada”. Os residentes seriam “encorajados” a sair mediante compensações financeiras: 5.000 dólares em dinheiro, quatro anos de renda e ...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Trump: o segundo mandato e a realidade nua O segundo mandato de Donald Trump mostrou, de forma clara, a distância entre promessas eleitorais e resultados concretos. O balanço é inequívoco: impacto maioritariamente negativo em quase todas as áreas de governação. Na economia , a “prosperidade” prometida acabou em abrandamento, inflação e tarifas que prejudicaram mais consumidores e pequenas empresas do que beneficiaram a indústria. O discurso de crescimento não resistiu à realidade dos números. Na política interna , Trump governou para a sua base e contra todos os outros. Resultado: um país mais polarizado, instituições em permanente confronto e erosão da confiança democrática. As vitórias políticas foram, na maioria, simbólicas e alimentadas pela retórica, não pela substância. Na arena internacional , o efeito foi ainda mais corrosivo. Aliados afastaram-se, rivais ganharam espaço e a credibilidade dos EUA caiu para mínimos históricos. O “America First” acabou por significar “...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
A Fome e a Cumplicidade A palavra “fome” tem um peso que nenhuma estatística consegue suavizar. Não é apenas um número em relatórios, não é uma abstração política. É o corpo que definha, é a criança que chora sem voz, é o adulto que perde a dignidade mais elementar: a de poder alimentar-se. Quando o IPC , organismo apoiado pela ONU, declarou oficialmente que Gaza vive em fome, a comunidade internacional deixou de poder fingir que se tratava apenas de uma crise humanitária grave. Não: é uma catástrofe fabricada . Israel, potência ocupante, tem a obrigação legal e moral de permitir a entrada de alimentos e medicamentos. Não o fez. E ao não o fazer, abre-se a acusação de que a fome não é um acidente da guerra, mas uma arma de guerra. É uma linha vermelha que separa a brutalidade do genocídio. Mas há outra pergunta, mais incómoda: e os Estados que apoiam Israel? Podem continuar a escudar-se na neutralidade, como se fossem meros observadores? A resposta é cada vez mais difícil de...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
A Dupla Moral da Política Externa dos Estados Unidos Oposição ao Tribunal Penal Internacional (TPI) Ação: Os EUA impuseram sanções a juízes e procuradores do TPI. Justificação: Defender a soberania dos EUA e dos seus aliados (neste caso, Israel), e evitar que cidadãos americanos sejam sujeitos à jurisdição de uma instituição que não reconhecem. Padrão de ingerência: Judicial, através de coerção e pressão política, para proteger interesses geopolíticos. Cooperação com o Sistema Jurídico Brasileiro Ação: Os EUA mantêm acordos de cooperação, mas também usam a sua influência (ameaças de sanções ou revogação de vistos) para pressionar o sistema judicial brasileiro. Justificação: Promover a "democracia" e combater a "corrupção", alinhando resultados com os seus objetivos de política externa. Padrão de ingerência: Político e judicial, disfarçado de cooperação ou de "defesa de valores", mas que serve interesses americanos. Interesse na Groenlând...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
EUA vs. Tribunal Penal Internacional: Justiça ou Poder? Os Estados Unidos voltaram a confrontar o Tribunal Penal Internacional (CPI), impondo sanções a juízes e procuradores que investigam possíveis crimes cometidos por norte-americanos e israelitas. Não se trata de um episódio isolado: desde 2002, Washington recusou-se a ratificar o Estatuto de Roma, alegando riscos para a sua soberania, mas agora avança para uma ofensiva aberta que fragiliza a justiça internacional. A reação mundial foi imediata: a União Europeia, França e Reino Unido manifestaram apoio ao tribunal, denunciando a tentativa de intimidação. Organizações de direitos humanos alertam que tais ataques corroem o princípio de que crimes de guerra não devem ficar impunes. O padrão repete-se noutras geografias: os EUA rejeitam a jurisdição do CPI em nome da sua soberania, mas não hesitam em intervir noutros países, como aconteceu no Brasil, em disputas judiciais sobre taxas alfandegárias. É a mesma lógica: defender a ...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
1. Ações anunciadas por Trump O Presidente Trump declarou uma emergência de segurança pública e invocou a Secção 740 da Lei de Autonomia do Distrito de 1973, reapropriando temporariamente a polícia metropolitana de D.C. para controlo federal, com duração de 48 horas, podendo chegar a 30 dias com notificação ao Congresso NBC4 Washington The Guardian+1 . Foi anunciada a mobilização de tropas da Guarda Nacional — com cerca de 800 efectivos iniciando a ação NBC4 Washington Reuters The Guardian . Trump também ordenou a remoção imediata de pessoas em situação de sem-abrigo da cidade, com promessas vagas de realojamento "longe da capital", ao mesmo tempo em que anunciou medidas para encarcerar criminosos ABC News Reuters The Guardian . 2. Dados oficiais sobre a criminalidade em D.C. Os dados da Polícia Metropolitana revelam que, até 11 de agosto de 2025, os crimes violentos caíram 26 % , e todos os crimes caíram 7 % em relação a 2024 Reuters mpd...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
Quando os números não servem o chefe: Trump e o ataque à verdade estatística Quando os números não servem o chefe: Trump e o ataque à verdade estatística A demissão da diretora do Gabinete de Estatísticas Laborais é mais do que um gesto impulsivo. É um sintoma de como o autoritarismo começa: não com tanques, mas com mentiras e intimidações. A recente demissão de Erika McEntarfer, diretora do Gabinete de Estatísticas Laborais (BLS), por ordem direta de Donald Trump, revela muito mais do que uma simples discordância sobre números de emprego. É um sinal inquietante sobre a forma como o poder político, quando desprovido de contenção institucional e respeito pelas regras do jogo democrático, tenta moldar a realidade à sua imagem. O relatório publicado em julho pelo BLS, uma agência com reputação de rigor técnico e independência, apresentou números pouco animadores: apenas 73 mil novos postos de trabalho e revisões em baixa dos dados de maio e junho. Em vez de responder com propos...
- Obter link
- X
- Outras aplicações
O Preço Invisível das Promessas August 2, 2025 / Leave a comment / Edit A política é, muitas vezes, o palco onde a emoção e a razão se defrontam. Quando falamos de economia, esta dicotomia é ainda mais evidente. Nenhuma medida ilustra este conflito de forma tão clara como as tarifas comerciais impostas por Donald Trump. Apresentadas como uma solução heroica para proteger a indústria nacional e punir o comércio desleal, estas tarifas foram aplaudidas por muitos, mas a sua verdadeira fatura, invisível para a maioria, foi paga por quem menos podia. A retórica é poderosa. Slogans como “America First” ou a promessa de reindustrialização ressoam profundamente em comunidades que viram o seu tecido industrial desmoronar-se. É fácil culpar o exterior e acreditar que um imposto sobre produtos estrangeiros irá, magicamente, reanimar fábricas e criar empregos. A realidade, no entanto, é teimosa e implacável. Na prática, as tarifas atuaram como um...