Gaza, Cisjordânia e o Espelho da História Quando a denúncia chega tarde demais e a esperança ainda resiste As palavras recentes de António Guterres — “chega de desculpas, chega de mentiras” — dirigidas a Israel, soaram como um grito tardio. O Secretário-Geral das Nações Unidas reconhece agora o que há muito era visível: a devastação em Gaza deixou de ser apenas uma crise humanitária para se transformar numa mancha moral no nosso tempo. Mas a questão permanece: até que ponto esta denúncia, embora justa, não chega demasiado tarde para as dezenas de milhares de vidas já perdidas? A ofensiva sobre a cidade de Gaza simboliza a espiral sem saída dos palestinianos, empurrados de norte para sul, de Rafah para Deir al-Balah, num ciclo de fuga constante. O enclave está hoje reduzido a ruínas. Se em Gaza o futuro parece ter sido esmagado sob os escombros, na Cisjordânia ainda existe uma margem de esperança — mas também aí o perigo cresce diariamente. Os ataques de colonos, a expansão c...