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  GREAT Trust: Reconstrução ou Limpeza Étnica Disfarçada? Nos últimos dias, veio a público um plano norte-americano para o pós-guerra em Gaza, conhecido como GREAT Trust ( Gaza Reconstitution, Economic Acceleration and Transformation Trust ). O documento, revelado pelo Washington Post e confirmado por várias fontes internacionais, descreve uma proposta de 38 páginas para transformar Gaza em pólo turístico e tecnológico. À primeira vista, soa a promessa de modernidade; ao olhar de perto, levanta sérias acusações de violação dos direitos humanos. As promessas de futuro O plano fala em “cidades inteligentes” com inteligência artificial , fábricas de automóveis elétricos, centros de dados e hotéis. A administração do território ficaria durante dez anos nas mãos deste fundo, antes de ser entregue a uma “entidade palestiniana reformada e desradicalizada”. Os residentes seriam “encorajados” a sair mediante compensações financeiras: 5.000 dólares em dinheiro, quatro anos de renda e ...
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  Reconhecer a Palestina e armar Israel: a contradição que alimenta a impunidade Nos últimos meses, vários governos europeus anunciaram a intenção de reconhecer formalmente o Estado da Palestina . Para muitos cidadãos, esse gesto é visto como um passo importante na defesa da justiça e da paz no Médio Oriente. Contudo, essa decisão política esbarra numa contradição gritante: os mesmos países que falam em “dois Estados” continuam a fornecer, de forma direta ou indireta, armas e componentes a Israel . A situação é paradoxal. Como pode um Estado reconhecer a Palestina ao mesmo tempo que ajuda a destruir o seu território e a sua população? Ao fornecer armas a Israel, esses países não estão a proteger a viabilidade de uma Palestina independente — estão, pelo contrário, a minar as condições mínimas para a sua existência. O caso da Alemanha é exemplar. Berlim anunciou restrições, mas aumentou exponencialmente as exportações militares para Israel após 7 de outubro de 2023. A Itália de...
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  1. Ações anunciadas por Trump O Presidente Trump declarou uma emergência de segurança pública e invocou a Secção 740 da Lei de Autonomia do Distrito de 1973, reapropriando temporariamente a polícia metropolitana de D.C. para controlo federal, com duração de 48 horas, podendo chegar a 30 dias com notificação ao Congresso NBC4 Washington The Guardian+1 . Foi anunciada a mobilização de tropas da Guarda Nacional — com cerca de 800 efectivos iniciando a ação NBC4 Washington Reuters The Guardian . Trump também ordenou a remoção imediata de pessoas em situação de sem-abrigo da cidade, com promessas vagas de realojamento "longe da capital", ao mesmo tempo em que anunciou medidas para encarcerar criminosos ABC News Reuters The Guardian . 2. Dados oficiais sobre a criminalidade em D.C. Os dados da Polícia Metropolitana revelam que, até 11 de agosto de 2025, os crimes violentos caíram 26 % , e todos os crimes caíram 7 % em relação a 2024 Reuters mpd...
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  O Presidente Vai Nu (Inspirado em “A Roupa Nova do Rei”, de Hans Christian Andersen) Era uma vez um presidente muito vaidoso chamado Donald . Tão vaidoso, que não se importava com livros, ciência ou arte — apenas com o seu reflexo nos espelhos, os elogios dos seus seguidores e a cor do seu bronzeado. Vivia numa torre dourada e tinha fatos azuis, vermelhos, brancos, com gravatas compridas até aos joelhos. Mas nunca era suficiente. Queria ser visto como o melhor presidente de todos os tempos , mesmo quando dizia disparates ou inventava coisas que nunca tinham acontecido. Um dia, apareceram dois "estilistas" muito espertos — uns tipos vindos da televisão e das redes sociais — que lhe disseram: — Senhor Presidente, podemos fazer-lhe um fato invisível especial . Só os verdadeiros patriotas, inteligentes e fiéis a si é que o conseguem ver. Todos os outros — jornalistas, cientistas, professores, democratas e leitores de jornais — não verão nada. Donald adorou a ideia. “É g...
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  Quando os números não servem o chefe: Trump e o ataque à verdade estatística Quando os números não servem o chefe: Trump e o ataque à verdade estatística A demissão da diretora do Gabinete de Estatísticas Laborais é mais do que um gesto impulsivo. É um sintoma de como o autoritarismo começa: não com tanques, mas com mentiras e intimidações. A recente demissão de Erika McEntarfer, diretora do Gabinete de Estatísticas Laborais (BLS), por ordem direta de Donald Trump, revela muito mais do que uma simples discordância sobre números de emprego. É um sinal inquietante sobre a forma como o poder político, quando desprovido de contenção institucional e respeito pelas regras do jogo democrático, tenta moldar a realidade à sua imagem. O relatório publicado em julho pelo BLS, uma agência com reputação de rigor técnico e independência, apresentou números pouco animadores: apenas 73 mil novos postos de trabalho e revisões em baixa dos dados de maio e junho. Em vez de responder com propos...
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  Enquanto animais são resgatados com urgência de Gaza e levados para abrigos na Europa, milhares de crianças palestinianas continuam cercadas, famintas e feridas — sem rota de saída nem tratamento. Julho de 2025.  No meio do ruído ensurdecedor da guerra em Gaza, há uma imagem que parece saída de um delírio humanitário: burros transportados para a Europa sob alegado tratamento de “trauma psicológico”, enquanto crianças mutiladas e famintas morrem sem assistência. Esta aparente inversão de prioridades levanta uma questão dolorosa:  o que diz de nós uma guerra em que os animais conseguem escapar, mas as crianças não?   A “operação veterinária” que retirou burros de Gaza Segundo vários relatos fidedignos,  centenas de burros foram removidos por militares israelitas de zonas invadidas na Faixa de Gaza , em articulação com o abrigo israelita  Starting Over Sanctuary  e com apoio de ONG internacionais como a  Network for Animals . As justificações ofici...
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  Trump, a banalização do absurdo Donald Trump está de regresso à presidência dos Estados Unidos e, com ele, uma avalanche de decisões e declarações que desafiam a lógica, a ética e o bom senso. O mais recente episódio -- o elogio ao "bom inglês" do Presidente da Libéria, Joseph Boakai -- não é apenas uma gaffe folclórica. É sintoma de algo muito mais profundo: uma visão do mundo enraizada na ignorância, no paternalismo e numa arrogância estrutural. A Libéria tem o inglês como língua oficial desde a sua fundação, no século XIX, por afro-americanos libertos. Boakai não é um recém-chegado às lides internacionais, mas um político experiente e culto. Ainda assim, Trump mostrou-se surpreso com a sua fluência linguística, como se esperasse menos dele apenas por ser africano. Não é apenas ignorância -- é condescendência. E o mais grave? Pouco ou nada se ouve da comunicação social dominante, que já parece ter desistido de se escandalizar. É esta normalizaçã...
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  O Lobo Mau Vegano vem aí, e já deixou de comer Capuchinhos Vermelhos há muito — agora frequenta retiros de ioga, é influencer de alimentação crua e faz vídeos a chorar sobre o trauma de ser mal representado nos contos tradicionais. O Lobo Mau — versão vegana, sensível e injustiçado Era uma vez um lobo. Mas não um lobo “mau”, como os jornais do reino insistiam em dizer. Este lobo chamava-se Lúcio . Era intolerante à lactose, glutofóbico assumido e praticava jejuns intermitentes desde que leu um post do Dr. Urso. Cresceu na floresta a ouvir histórias horríveis: que os lobos deviam caçar, devorar, disfarçar-se de avós. "Mas eu só queria cultivar lentilhas." dizia ele, de lágrima nos olhos e pulseira de cânhamo no pulso. Um dia, ouviu falar da Capuchinho Vermelho , uma jovem activista com um canal de TikTok sobre bolos sem açúcar e crítica ao etarismo nas fábulas. Lúcio foi ter com ela com um ramo de ervas medicinais. — Trouxe chá de rooibos fermentado, colhid...
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  Branca de Neve — a versão que passou pelo crivo do Conselho Inclusivo de Contos de Fadas™ Branca de Neve era pálida, mas não por opção genética. Auto-identificava-se como fotossensível, e pedia que não usassem termos como "pele como a neve" — ofensivo para pessoas albinas. A madrasta não era má. Apenas emocionalmente negligenciada pelo sistema monárquico-patriarcal, com uma leve obsessão por métricas de beleza. O espelho foi descontinuado por violar o RGPD — nunca ninguém lhe deu autorização para guardar a imagem de ninguém. Branca refugia-se na floresta, onde encontra sete seres diversos: um com nanismo, outro neurodivergente, um não-binário, uma em transição, um introvertido, um militante e um vegan de madeira. Fundam uma cooperativa agroecológica baseada em permacultura e abraços consentidos. A maçã era biológica, mas foi colhida num contexto de monocultura, o que provocou um colapso simbólico. Nada de beijos não autorizados. Acordou com terapia ...
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  O Vidro, o Amor e a Pedra Mal Apontada Era uma vez, num tempo em que os carros ainda brilhavam nas montras com dignidade de se acharem arte, que eu passava os meus dias num stand automóvel instalado no rés-do-chão de um prédio imponente. A entrada era feita de três painéis de vidro: um central, grande como um ecrã de cinema, e dois laterais mais humildes, quase tímidos — como quem se limita a observar sem se intrometer. Do lado de fora, numa espécie de terra de ninguém entre o passeio e o alcatrão, vivia uma família peculiar. Eram jornaleiros — vendedores de jornais, é certo, mas também especialistas em discutir aos berros e em manter o álcool como convidado de honra em todos os seus turnos. O homem e a mulher passavam os dias entre as capas do Diário de Notícias e os desacatos conjugais. E nós, lá dentro, entre uma ficha técnica e um vidro por limpar, íamos ouvindo as óperas desafinadas daquela dupla trágico-cómica. Até que um dia, entre o ronronar dos motores e o tilin...
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  Guardião de Oeiras (uma fábula de cinzas, bigodes e justiça) Dizem que, ao nascer do sol, há um instante em que o tempo hesita. É nesse momento — breve como o pestanejar de uma estátua — que algo se ergue dos jardins do Palácio do Marquês de Pombal, em Oeiras. Não tem nome, nem precisa. É feito de cinzas, memória e pacto. Tem o olhar sábio de um homem cansado do mundo… E o andar silencioso de um gato que já viu tudo — e não perdoa o que é injusto. O seu nascimento foi escrito num testamento pouco convencional: “Quando eu morrer, quero ser cremado. E que as minhas cinzas se misturem com as da minha gata. E que as espalhem juntas, ao nascer do dia, nos jardins onde caminhei a pensar em tudo o que era errado, e em tudo o que poderia ser melhor.” Ninguém acreditou. Mas alguém cumpriu. Do turbilhão cinzento que se formou no meio do nevoeiro e das buganvílias, surgiu ele — o Guardião. Metade homem, metade gata. Metade pó, metade espírito. Inteiramente lúcido. Desde ...
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                                                                                                                    O Vazio Que Tem Forma Há silêncios que não são ausência. São uma espécie de presença discreta. O vazio que tem forma é assim: não grita, não pesa, mas ocupa espaço — um espaço que se sente. Recordo-me de um desenho antigo, feito à mão, durante uma pausa no escritório. Um portão de ferro forjado, entreaberto. De um lado, a saída do Nada. Do outro, a entrada para Coisa Nenhuma. Surreal? Talvez. Mas naquele traço havia verdade. E espanto. E um sorriso contido da colega do lado que nunca me esqueci. Vivemos rodeados de matéria e movimento. Mas é nas margens do real que habita...
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  O Efeito Borboleta Aplicado às Cadeiras O zelador chamava-se Silvério. Sofria de TOC, mas não daqueles discretos — era um TOC cósmico, com pretensões metafísicas. Acreditava, piamente, que se uma cadeira ficasse ligeiramente desalinhada em Lisboa, poderia provocar um colapso de nervos num executivo em Tóquio. Sim, era esse o nível. Dizia: “Cada cadeira que empilho mal aqui pode gerar uma onda de desequilíbrio no outro lado do mundo. Primeiro um tropeção. Depois um grito. Depois um divórcio. Tudo por culpa de um encosto torto.” A teoria dele, inspirada no velho efeito borboleta, era simples: Uma asa bate em Pequim Um furacão levanta-se no Texas Uma cadeira desalinha-se em Lisboa E uma senhora cai da bicicleta em Helsínquia. A empresa deixava-o em paz. Sabiam que ninguém empilhava como ele. O ritual era semanal: madrugada de segunda, luz de néon, silêncio, e Silvério a alinhar 28 cadeiras com precisão quase militar. Mas um dia, alguém moveu uma cade...