Branca de Neve — a versão que passou pelo crivo do Conselho Inclusivo de Contos de Fadas™

Branca de Neve era pálida,
mas não por opção genética.

Auto-identificava-se como fotossensível,
e pedia que não usassem termos como
"pele como a neve" — ofensivo para pessoas albinas.

A madrasta não era má.
Apenas emocionalmente negligenciada pelo sistema monárquico-patriarcal,
com uma leve obsessão por métricas de beleza.

O espelho foi descontinuado
por violar o RGPD —
nunca ninguém lhe deu autorização
para guardar a imagem de ninguém.

Branca refugia-se na floresta,
onde encontra sete seres diversos:
um com nanismo, outro neurodivergente,
um não-binário, uma em transição,
um introvertido, um militante e um vegan de madeira.

Fundam uma cooperativa agroecológica
baseada em permacultura e abraços consentidos.

A maçã era biológica,
mas foi colhida num contexto de monocultura,
o que provocou um colapso simbólico.

Nada de beijos não autorizados.
Acordou com terapia holística,
acupuntura, e uma playlist de meditação guiada
pela voz neutra de um influencer de mindfulness.

O príncipe foi desconvidado.
Foi visto a caçar javalis e a fumar charutos cubanos.

A madrasta, após uma jornada de autoconhecimento,
abriu um retiro em Sintra sobre beleza inclusiva.

E Branca?
Decidiu não casar,
montou um podcast sobre ética narrativa
e vive em open relationship com a Sininho
e um sapateiro não-binário de Braga.

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