Trump, os “líderes fortes” e a deriva silenciosa das democracias A relação de Donald Trump com líderes como Vladimir Putin, Viktor Orbán, Jair Bolsonaro e Nicolás Maduro é frequentemente apresentada como errática ou contraditória. Na realidade, ela revela um padrão bastante consistente — e profundamente revelador do estado actual das democracias ocidentais. Trump nunca fez da defesa da democracia liberal o eixo da sua acção política. O que o orienta é outra coisa: a eficácia do poder, a lealdade pessoal e a capacidade de governar sem constrangimentos. É por isso que condena Maduro, mas demonstra admiração ou complacência em relação a outros líderes claramente autoritários. No caso de Vladimir Putin, a admiração é quase explícita. Putin representa o poder concentrado, a autoridade sem freios institucionais, o controlo da oposição e da comunicação social. Aquilo que para uma democracia liberal é um desvio grave, para Trump surge como sinal de força e eficácia. Não se trata de ignorar...