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Trump, os “líderes fortes” e a deriva silenciosa das democracias A relação de Donald Trump com líderes como Vladimir Putin, Viktor Orbán, Jair Bolsonaro e Nicolás Maduro é frequentemente apresentada como errática ou contraditória. Na realidade, ela revela um padrão bastante consistente — e profundamente revelador do estado actual das democracias ocidentais. Trump nunca fez da defesa da democracia liberal o eixo da sua acção política. O que o orienta é outra coisa: a eficácia do poder, a lealdade pessoal e a capacidade de governar sem constrangimentos. É por isso que condena Maduro, mas demonstra admiração ou complacência em relação a outros líderes claramente autoritários. No caso de Vladimir Putin, a admiração é quase explícita. Putin representa o poder concentrado, a autoridade sem freios institucionais, o controlo da oposição e da comunicação social. Aquilo que para uma democracia liberal é um desvio grave, para Trump surge como sinal de força e eficácia. Não se trata de ignorar...
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  A Cumplicidade Política dos EUA no Genocídio em Gaza October 7, 2025  /  Pedro Baptista   /  Edit Desde outubro de 2023, os Estados Unidos canalizaram mais de  21 mil milhões de dólares  em apoio militar a Israel. Os números, divulgados pelo  Projecto Custos da Guerra  da Universidade Brown, não deixam margem para dúvida: trata-se de um financiamento maciço, contínuo e consciente. Numa altura em que  relatores especiais da ONU, juristas internacionais e organizações de direitos humanos afirmam já abertamente que em Gaza decorre um genocídio , a questão deixa de ser apenas moral — torna-se também política e jurídica. A cumplicidade política dos EUA não se mede apenas pelo fluxo de dinheiro e armamento, mas pela  persistência deliberada em apoiar um Estado que viola sistematicamente o direito internacional . Washington tem vetado sucessivas resoluções do Conselho de Segurança que pediam cessar-fogo ou investigações independente...
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  A Declaração de Greta Thunberg e a Inação Internacional: Entre a Denúncia e a Cumplicidade A recente declaração de Greta Thunberg, feita após a sua detenção no deserto do Negev, teve um impacto significativo no debate público sobre a guerra em Gaza. Ao afirmar que “está a acontecer um genocídio diante dos nossos olhos” e que “ninguém poderá dizer que não sabia” , a ativista sueca colocou no centro da discussão não apenas a violência em curso, mas também a responsabilidade moral e política das potências ocidentais. O caso de Gaza tornou-se um ponto crítico nas relações internacionais contemporâneas. Desde o início da ofensiva israelita, os Estados Unidos mantêm um papel ambíguo: por um lado, apelam à moderação e à proteção de civis; por outro, continuam a fornecer apoio militar, económico e diplomático a Israel. Em várias ocasiões, Washington vetou resoluções do Conselho de Segurança da ONU que pediam um cessar-fogo imediato — vetos que, na prática, prolongaram o conflito e imp...
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  O Risco da Adrenalina: Quando o Protesto Cede Lugar ao Vandalismo Absurdo October 5, 2025   /  Leave a comment   /  Edit A mais recente manifestação em solidariedade com o povo palestiniano, em Lisboa, cumpriu o seu propósito. Milhares de pessoas vieram para a rua apelar ao  fim do conflito  e denunciar as ações militares em Gaza, reforçando uma mensagem política e humanitária legítima e necessária no espaço público democrático. Contudo, o eco desta marcha foi tristemente desviado por um incidente isolado, mas gravíssimo, na  Estação Ferroviária do Rossio . O que se viu ali, após o fim da manifestação principal, foi a  apropriação irresponsável  do protesto por um grupo que trocou a causa pela  adrenalina da desordem . A entrada e ocupação da estação não representavam qualquer tática política coerente ou simbólica; foi, pelo contrário, um ato de  vandalismo gratuito  e de pura  imprudência . A Irresponsabilidad...
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  Geração Z: Entre a Revolta Digital e o Risco do Populismo October 4, 2025  /  Pedro Baptista   /  Edit A política mudou de rosto. Já não são os sindicatos ou os partidos de oposição a liderar as vagas de protesto, mas sim uma geração nativa digital, orgânica e apartidária: a Geração Z. Do Nepal a Marrocos, vemos que a indignação juvenil deixou de ser episódica para se tornar num sintoma global: a falência da democracia representativa tal como a conhecemos. Um contrato social obsoleto Esta geração cresceu online, mas sem a promessa de mobilidade social. Enfrenta desemprego juvenil elevado, habitação inacessível e um futuro mais precário do que o dos seus pais. A meritocracia tornou-se uma miragem. Além disso, a corrupção e o nepotismo já não se escondem atrás de gabinetes fechados: são hashtags virais, expostas em tempo real. Para quem cresceu com TikTok, Discord ou Reddit, os escândalos não são segredos de Estado, mas conteúdos partilhados. A autoridade m...
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  O Ponto Essencial em Gaza: Não Confundir Israel com o Seu Governo October 4, 2025   /  Leave a comment   /  Edit O debate sobre a guerra em Gaza está preso num erro fundamental: a maioria das pessoas  não distingue entre Israel como país e o governo de Benjamin Netanyahu . Esta confusão é perigosa. Se não separamos o governo do Estado, a crítica legítima às ações políticas é rapidamente vista como um ataque a todo o povo israelita ou à identidade judaica, o que é falso e bloqueia a discussão. O Que Diz a Lei (E Onde Está a Falha) O  Direito Internacional Humanitário (DIH)  tem regras claras que parecem estar a ser ignoradas: Proibição de Castigo Coletivo:  A  IV Convenção de Genebra  proíbe expressamente que civis sejam punidos pelas ações dos seus combatentes. Os ataques indiscriminados, o corte de água/eletricidade e o bloqueio de ajuda humanitária em Gaza são exatamente o que esta lei proíbe. Responsabilidade por Genocídio...
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  Uma estratégia continuada de asfixia October 2, 2025  /  Pedro Baptista   /  Edit A recente interceção da flotilha Global Sumud por Israel expôs de forma clara a distância entre a retórica diplomática e a realidade política. Poucos dias depois de Donald Trump ter anunciado um acordo que prometia abrir caminho a uma solução negociada para o conflito, Netanyahu optou por reafirmar o bloqueio a Gaza com uma operação de alto impacto simbólico. Se Israel tivesse permitido de forma consistente a entrada de ajuda humanitária por via terrestre, poderia apresentar a interceção da flotilha como um gesto de soberania marítima, mas sem negar apoio básico à população civil. Assim, teria “salvo a face”, equilibrando segurança com pragmatismo político. Porém, o que se verifica é que a ajuda terrestre continua a ser escassa, insuficiente e sujeita a entraves. O gesto naval não surge isolado — integra-se numa estratégia de punição coletiva. Neste quadro, a interceção deix...