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  O Labirinto do Poder: Estratégia Política ou Incapacidade Governativa? A política contemporânea — especialmente nos Estados Unidos — entrou num terreno onde a fronteira entre estratégia partidária e saúde das instituições se tornou perigosamente difusa. Ao observar o percurso de Donald Trump surge uma questão que ultrapassa divisões ideológicas: o constante espectro de processos de destituição e a rotatividade sem precedentes de membros do governo são sinais de um sistema político em permanente conflito ou o reflexo de uma incapacidade governativa profunda? A política da vitimização Para Trump, a ameaça de impeachment nunca foi tratada como uma advertência institucional. Pelo contrário, transformou-a numa poderosa ferramenta política. Ao apresentar os mecanismos constitucionais de fiscalização como uma “caça às bruxas”, conseguiu inverter a narrativa. Onde os críticos viam abuso de poder ou desorganização governativa, os seus apoiantes passaram a ver a reação de um sistema...
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  Quando um ataque militar pode fortalecer o adversário O recente ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão abriu um debate estratégico que está longe de estar encerrado. Para além da dimensão militar imediata, importa analisar as suas possíveis consequências políticas e geopolíticas. Paradoxalmente, uma operação destinada a enfraquecer o regime iraniano pode ter produzido, pelo menos no curto prazo, o efeito contrário. Antes da escalada militar, o Irão atravessava um período de forte contestação interna. Nos últimos anos tinham ocorrido protestos significativos contra o regime, alimentados por dificuldades económicas, restrições políticas e tensões sociais profundas. Muitos observadores consideravam que o sistema político iraniano enfrentava um desgaste crescente e uma pressão interna que poderia, a médio prazo, conduzir a mudanças significativas. Nesse contexto, um ataque externo tende frequentemente a provocar um fenómeno conhecido na ciência política como ...
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Trump, os “líderes fortes” e a deriva silenciosa das democracias A relação de Donald Trump com líderes como Vladimir Putin, Viktor Orbán, Jair Bolsonaro e Nicolás Maduro é frequentemente apresentada como errática ou contraditória. Na realidade, ela revela um padrão bastante consistente — e profundamente revelador do estado actual das democracias ocidentais. Trump nunca fez da defesa da democracia liberal o eixo da sua acção política. O que o orienta é outra coisa: a eficácia do poder, a lealdade pessoal e a capacidade de governar sem constrangimentos. É por isso que condena Maduro, mas demonstra admiração ou complacência em relação a outros líderes claramente autoritários. No caso de Vladimir Putin, a admiração é quase explícita. Putin representa o poder concentrado, a autoridade sem freios institucionais, o controlo da oposição e da comunicação social. Aquilo que para uma democracia liberal é um desvio grave, para Trump surge como sinal de força e eficácia. Não se trata de ignorar...
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  A Cumplicidade Política dos EUA no Genocídio em Gaza October 7, 2025  /  Pedro Baptista   /  Edit Desde outubro de 2023, os Estados Unidos canalizaram mais de  21 mil milhões de dólares  em apoio militar a Israel. Os números, divulgados pelo  Projecto Custos da Guerra  da Universidade Brown, não deixam margem para dúvida: trata-se de um financiamento maciço, contínuo e consciente. Numa altura em que  relatores especiais da ONU, juristas internacionais e organizações de direitos humanos afirmam já abertamente que em Gaza decorre um genocídio , a questão deixa de ser apenas moral — torna-se também política e jurídica. A cumplicidade política dos EUA não se mede apenas pelo fluxo de dinheiro e armamento, mas pela  persistência deliberada em apoiar um Estado que viola sistematicamente o direito internacional . Washington tem vetado sucessivas resoluções do Conselho de Segurança que pediam cessar-fogo ou investigações independente...
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  A Declaração de Greta Thunberg e a Inação Internacional: Entre a Denúncia e a Cumplicidade A recente declaração de Greta Thunberg, feita após a sua detenção no deserto do Negev, teve um impacto significativo no debate público sobre a guerra em Gaza. Ao afirmar que “está a acontecer um genocídio diante dos nossos olhos” e que “ninguém poderá dizer que não sabia” , a ativista sueca colocou no centro da discussão não apenas a violência em curso, mas também a responsabilidade moral e política das potências ocidentais. O caso de Gaza tornou-se um ponto crítico nas relações internacionais contemporâneas. Desde o início da ofensiva israelita, os Estados Unidos mantêm um papel ambíguo: por um lado, apelam à moderação e à proteção de civis; por outro, continuam a fornecer apoio militar, económico e diplomático a Israel. Em várias ocasiões, Washington vetou resoluções do Conselho de Segurança da ONU que pediam um cessar-fogo imediato — vetos que, na prática, prolongaram o conflito e imp...
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  O Risco da Adrenalina: Quando o Protesto Cede Lugar ao Vandalismo Absurdo October 5, 2025   /  Leave a comment   /  Edit A mais recente manifestação em solidariedade com o povo palestiniano, em Lisboa, cumpriu o seu propósito. Milhares de pessoas vieram para a rua apelar ao  fim do conflito  e denunciar as ações militares em Gaza, reforçando uma mensagem política e humanitária legítima e necessária no espaço público democrático. Contudo, o eco desta marcha foi tristemente desviado por um incidente isolado, mas gravíssimo, na  Estação Ferroviária do Rossio . O que se viu ali, após o fim da manifestação principal, foi a  apropriação irresponsável  do protesto por um grupo que trocou a causa pela  adrenalina da desordem . A entrada e ocupação da estação não representavam qualquer tática política coerente ou simbólica; foi, pelo contrário, um ato de  vandalismo gratuito  e de pura  imprudência . A Irresponsabilidad...
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  Geração Z: Entre a Revolta Digital e o Risco do Populismo October 4, 2025  /  Pedro Baptista   /  Edit A política mudou de rosto. Já não são os sindicatos ou os partidos de oposição a liderar as vagas de protesto, mas sim uma geração nativa digital, orgânica e apartidária: a Geração Z. Do Nepal a Marrocos, vemos que a indignação juvenil deixou de ser episódica para se tornar num sintoma global: a falência da democracia representativa tal como a conhecemos. Um contrato social obsoleto Esta geração cresceu online, mas sem a promessa de mobilidade social. Enfrenta desemprego juvenil elevado, habitação inacessível e um futuro mais precário do que o dos seus pais. A meritocracia tornou-se uma miragem. Além disso, a corrupção e o nepotismo já não se escondem atrás de gabinetes fechados: são hashtags virais, expostas em tempo real. Para quem cresceu com TikTok, Discord ou Reddit, os escândalos não são segredos de Estado, mas conteúdos partilhados. A autoridade m...