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  O Ponto Essencial em Gaza: Não Confundir Israel com o Seu Governo October 4, 2025   /  Leave a comment   /  Edit O debate sobre a guerra em Gaza está preso num erro fundamental: a maioria das pessoas  não distingue entre Israel como país e o governo de Benjamin Netanyahu . Esta confusão é perigosa. Se não separamos o governo do Estado, a crítica legítima às ações políticas é rapidamente vista como um ataque a todo o povo israelita ou à identidade judaica, o que é falso e bloqueia a discussão. O Que Diz a Lei (E Onde Está a Falha) O  Direito Internacional Humanitário (DIH)  tem regras claras que parecem estar a ser ignoradas: Proibição de Castigo Coletivo:  A  IV Convenção de Genebra  proíbe expressamente que civis sejam punidos pelas ações dos seus combatentes. Os ataques indiscriminados, o corte de água/eletricidade e o bloqueio de ajuda humanitária em Gaza são exatamente o que esta lei proíbe. Responsabilidade por Genocídio...
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  Israel, os Reféns e o Pretexto da Guerra September 28, 2025  /  Pedro Baptista   /  Edit Introdução Desde o ataque de outubro de 2023, o governo israelita tem invocado  repetidamente a necessidade de libertar os reféns como justificação para a continuação da ofensiva em Gaza e para a intensificação das medidas repressivas na Cisjordânia. Porém, a análise da evolução das negociações mostra que, em vez de facilitar soluções, Israel tem sistematicamente colocado entraves a qualquer processo que pudesse conduzir a um cessar-fogo e a uma troca de prisioneiros. Retórica oficial versus  dinâmica no terreno A narrativa oficial de Israel insiste em que a segurança nacional depende da derrota total do Hamas e da libertação incondicional dos reféns. No entanto, os acontecimentos revelam uma contradição evidente: Exemplo recente:  durante rondas de mediação no Qatar, Israel lançou ataques aéreos que coincidiram com momentos críticos das negociações, pr...
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  A Linha Contínua da Limpeza Étnica na Palestina: Um Debate Para Além da História September 22, 2025  /  Pedro Baptista   /  Edit O conflito israelo-palestiniano é, demasiadas vezes, apresentado como um intricado choque de narrativas equivalentes, uma batalha entre dois povos com direitos em disputa. No entanto, esta perspetiva simplista ignora uma dolorosa linha contínua de expulsão e desenraizamento do povo palestiniano, uma prática que muitos historiadores e juristas identificam, com razão, como limpeza étnica. Esta realidade exige ser encarada de frente, não só pelos factos históricos, mas também pela forma como estes se entrelaçam com questões de moralidade e justificação. Da Partilha ao Desenraizamento: As Sementes da Nakba A génese deste padrão remonta ao rescaldo da Segunda Guerra Mundial. A  Resolução 181 da ONU , em 1947, propôs a partilha da Palestina, atribuindo a um Estado judaico 55% do território. Esta decisão era profundamente assimétr...
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  Reconhecimento a meias September 22, 2025   /  Leave a comment   /  Edit O anúncio do reconhecimento da Palestina por parte do governo português parecia ser um passo histórico, um gesto de coragem política. Mas ao ouvir atentamente as palavras do ministro dos Negócios Estrangeiros, fica a sensação de que o gesto ficou a meio caminho. Nunca foi pronunciada a palavra  genocídio . A destruição massiva em Gaza, que já levou à morte de dezenas de milhares de civis, foi descrita de forma vaga, como se evitar a palavra certa pudesse apagar a realidade. Essa omissão não é inocente: usar o termo teria consequências diplomáticas, obrigaria a uma posição clara frente a Israel. Ao mesmo tempo, o ministro fez questão de referir várias vezes os  reféns israelitas  ainda em cativeiro. Claro que a sua libertação é uma exigência justa. Mas porque não lembrar também os milhares de palestinianos presos em Israel, muitos sem julgamento, incluindo crianças? Porque u...
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  A Fome e a Cumplicidade A palavra “fome” tem um peso que nenhuma estatística consegue suavizar. Não é apenas um número em relatórios, não é uma abstração política. É o corpo que definha, é a criança que chora sem voz, é o adulto que perde a dignidade mais elementar: a de poder alimentar-se. Quando o IPC , organismo apoiado pela ONU, declarou oficialmente que Gaza vive em fome, a comunidade internacional deixou de poder fingir que se tratava apenas de uma crise humanitária grave. Não: é uma catástrofe fabricada . Israel, potência ocupante, tem a obrigação legal e moral de permitir a entrada de alimentos e medicamentos. Não o fez. E ao não o fazer, abre-se a acusação de que a fome não é um acidente da guerra, mas uma arma de guerra. É uma linha vermelha que separa a brutalidade do genocídio. Mas há outra pergunta, mais incómoda: e os Estados que apoiam Israel? Podem continuar a escudar-se na neutralidade, como se fossem meros observadores? A resposta é cada vez mais difícil de...
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  Reconhecer a Palestina e armar Israel: a contradição que alimenta a impunidade Nos últimos meses, vários governos europeus anunciaram a intenção de reconhecer formalmente o Estado da Palestina . Para muitos cidadãos, esse gesto é visto como um passo importante na defesa da justiça e da paz no Médio Oriente. Contudo, essa decisão política esbarra numa contradição gritante: os mesmos países que falam em “dois Estados” continuam a fornecer, de forma direta ou indireta, armas e componentes a Israel . A situação é paradoxal. Como pode um Estado reconhecer a Palestina ao mesmo tempo que ajuda a destruir o seu território e a sua população? Ao fornecer armas a Israel, esses países não estão a proteger a viabilidade de uma Palestina independente — estão, pelo contrário, a minar as condições mínimas para a sua existência. O caso da Alemanha é exemplar. Berlim anunciou restrições, mas aumentou exponencialmente as exportações militares para Israel após 7 de outubro de 2023. A Itália de...
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  A Falsificação da “Mensagem do Telegram” August 12, 2025  /  Pedro Baptista   /  Edit A mentira que mata duas vezes Há crimes que não se limitam a tirar vidas — também tentam assassinar a verdade. O caso de Anas Al-Sharif é disso exemplo. O jornalista palestiniano, conhecido pelo seu trabalho em Gaza, foi alvo de uma das mais cínicas e repugnantes formas de violência: a falsificação das suas palavras para justificar a sua morte. Nos dias que se seguiram ao ataque que vitimou Al-Sharif, começou a circular uma imagem de alegada publicação no seu canal de Telegram. Na mensagem, datada de 7 de outubro de 2023, ele supostamente glorificaria ataques contra israelitas, descrevendo os agressores como “heróis” e elogiando Deus pelo massacre. O conteúdo é chocante — e era precisamente essa a intenção de quem o fabricou. A análise atenta revela incoerências óbvias: erros de formatação que não existem no Telegram, ausência dessa mensagem no arquivo real do canal, e o...
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  Para Além do Óbvio O rio, as margens e a tragédia no Médio Oriente Há frases que nos perseguem, não pelo que explicam, mas pelo que desvendam. Bertolt Brecht escreveu: “Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.” E desde 7 de outubro de 2023, essa frase tornou-se uma espécie de eco insistente sempre que os olhos pousam sobre o que se passa em Israel e na Palestina. Nesse dia, o mundo estremeceu ao assistir a um ataque brutal do Hamas contra Israel — um ataque inegavelmente terrorista, indiscriminado, dirigido a civis, e cuja violência suscitou condenação internacional quase unânime. Foi um desses momentos em que a história parece suspender o fôlego e nos força a olhar. Mas olhar não é ver. E ver, verdadeiramente, implica olhar para além do óbvio. Sim, o ataque foi um “rio” de violência. Mas que margens o comprimiram até esse ponto? Que tensões, frustrações, injustiças e desesperos se acumularam ao longo das décadas a...