As Prateleiras, os Suportes e os Braços Cruzados Há um momento na vida de qualquer homem que se quer útil em casa: montar prateleiras. Parece simples — dois suportes na parede, uma tábua em cima, equilíbrio, satisfação. Mas a realidade tem outro guião. Primeiro, os suportes. Medidos, furados, aparafusados. Depois, as tábuas. Compridas demais. Assentam num lado e abanam no outro — como se tivessem vontade própria. É uma coreografia desequilibrada entre a madeira, a parede e a minha sanidade. E ali estou eu, de berbequim numa mão, prateleira na outra e o sangue a subir-me à cabeça, quando olho para o lado… E vejo dois espectadores: mulher e filho, de braços cruzados, estilo estátua de sala de espera. Pergunto: — Mas por que raio é que não me ajudam? Resposta em uníssono: — Porque não disseste que querias ajuda. Eu, espantado: — Mas não se vê logo o que é preciso fazer? O filho, com sabedoria de almofada digital: — Não, pai. Se queres ajuda, tens de pedir… com je...
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Título: Entre o Bife e o Infinito — Amor, o que preferes para o almoço? Bifes com batatas fritas ou... uma lata de atum com batatas cozidas? — Hmm… acho que prefiro os bifes. — Não queres antes o atum? — O atum? Mas disseste bifes… — Sim, sim… mas o atum é mais leve. E já está fora da lata, sabes? — Pois, se já está fora da lata... então pode ser o atum. — Mas só porque eu disse? Queres mesmo atum ou estás só a dizer isso para me agradar? — Não, não! Quer dizer… os bifes também me agradam. Mas se preferes o atum… — Eu? Eu não prefiro nada. Eu só sugeri. És tu que tens de escolher. Eu perguntei-te! — Então pronto. Bifes. — A sério? Com este calor? Queres mesmo fritar batatas? — Ok… então vá, o atum. — Pronto. Está aqui o atum. Porque não disseste logo que era o que querias? (Ele olha o prato. Olha para ela. Olha para o infinito. E nesse momento, compreende o mistério eterno do universo e do casamento.)