A Cumplicidade Política dos EUA no Genocídio em Gaza October 7, 2025 / Pedro Baptista / Edit Desde outubro de 2023, os Estados Unidos canalizaram mais de 21 mil milhões de dólares em apoio militar a Israel. Os números, divulgados pelo Projecto Custos da Guerra da Universidade Brown, não deixam margem para dúvida: trata-se de um financiamento maciço, contínuo e consciente. Numa altura em que relatores especiais da ONU, juristas internacionais e organizações de direitos humanos afirmam já abertamente que em Gaza decorre um genocídio , a questão deixa de ser apenas moral — torna-se também política e jurídica. A cumplicidade política dos EUA não se mede apenas pelo fluxo de dinheiro e armamento, mas pela persistência deliberada em apoiar um Estado que viola sistematicamente o direito internacional . Washington tem vetado sucessivas resoluções do Conselho de Segurança que pediam cessar-fogo ou investigações independente...
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A Declaração de Greta Thunberg e a Inação Internacional: Entre a Denúncia e a Cumplicidade A recente declaração de Greta Thunberg, feita após a sua detenção no deserto do Negev, teve um impacto significativo no debate público sobre a guerra em Gaza. Ao afirmar que “está a acontecer um genocídio diante dos nossos olhos” e que “ninguém poderá dizer que não sabia” , a ativista sueca colocou no centro da discussão não apenas a violência em curso, mas também a responsabilidade moral e política das potências ocidentais. O caso de Gaza tornou-se um ponto crítico nas relações internacionais contemporâneas. Desde o início da ofensiva israelita, os Estados Unidos mantêm um papel ambíguo: por um lado, apelam à moderação e à proteção de civis; por outro, continuam a fornecer apoio militar, económico e diplomático a Israel. Em várias ocasiões, Washington vetou resoluções do Conselho de Segurança da ONU que pediam um cessar-fogo imediato — vetos que, na prática, prolongaram o conflito e imp...
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O Ponto Essencial em Gaza: Não Confundir Israel com o Seu Governo October 4, 2025 / Leave a comment / Edit O debate sobre a guerra em Gaza está preso num erro fundamental: a maioria das pessoas não distingue entre Israel como país e o governo de Benjamin Netanyahu . Esta confusão é perigosa. Se não separamos o governo do Estado, a crítica legítima às ações políticas é rapidamente vista como um ataque a todo o povo israelita ou à identidade judaica, o que é falso e bloqueia a discussão. O Que Diz a Lei (E Onde Está a Falha) O Direito Internacional Humanitário (DIH) tem regras claras que parecem estar a ser ignoradas: Proibição de Castigo Coletivo: A IV Convenção de Genebra proíbe expressamente que civis sejam punidos pelas ações dos seus combatentes. Os ataques indiscriminados, o corte de água/eletricidade e o bloqueio de ajuda humanitária em Gaza são exatamente o que esta lei proíbe. Responsabilidade por Genocídio...
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Uma estratégia continuada de asfixia October 2, 2025 / Pedro Baptista / Edit A recente interceção da flotilha Global Sumud por Israel expôs de forma clara a distância entre a retórica diplomática e a realidade política. Poucos dias depois de Donald Trump ter anunciado um acordo que prometia abrir caminho a uma solução negociada para o conflito, Netanyahu optou por reafirmar o bloqueio a Gaza com uma operação de alto impacto simbólico. Se Israel tivesse permitido de forma consistente a entrada de ajuda humanitária por via terrestre, poderia apresentar a interceção da flotilha como um gesto de soberania marítima, mas sem negar apoio básico à população civil. Assim, teria “salvo a face”, equilibrando segurança com pragmatismo político. Porém, o que se verifica é que a ajuda terrestre continua a ser escassa, insuficiente e sujeita a entraves. O gesto naval não surge isolado — integra-se numa estratégia de punição coletiva. Neste quadro, a interceção deix...
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Amnistia ou Justiça? Entre a Realpolitik e a Memória das Vítimas September 30, 2025 / Pedro Baptista / Edit A recente proposta de Donald Trump de conceder uma amnistia a Benjamin Netanyahu levanta um dilema profundo: até que ponto os instrumentos legais podem ser instrumentalizados como ferramentas políticas? Ao colocar sobre a mesa a hipótese de uma amnistia, Trump não está a admitir a culpa do primeiro-ministro israelita. Muito pelo contrário, ele procura usar um mecanismo jurídico para remover um obstáculo político — o mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) — que ameaça comprometer o seu plano de paz para a região. É, portanto, uma jogada de realpolitik: sacrificar a justiça em nome de uma promessa de estabilidade. Israel, por seu lado, continua a rejeitar a jurisdição do TPI e a negar qualquer acusação de crimes de guerra. Neste cenário, a amnistia surge como um artifício: não para reconhecer culpa, mas para garantir qu...
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Israel, os Reféns e o Pretexto da Guerra September 28, 2025 / Pedro Baptista / Edit Introdução Desde o ataque de outubro de 2023, o governo israelita tem invocado repetidamente a necessidade de libertar os reféns como justificação para a continuação da ofensiva em Gaza e para a intensificação das medidas repressivas na Cisjordânia. Porém, a análise da evolução das negociações mostra que, em vez de facilitar soluções, Israel tem sistematicamente colocado entraves a qualquer processo que pudesse conduzir a um cessar-fogo e a uma troca de prisioneiros. Retórica oficial versus dinâmica no terreno A narrativa oficial de Israel insiste em que a segurança nacional depende da derrota total do Hamas e da libertação incondicional dos reféns. No entanto, os acontecimentos revelam uma contradição evidente: Exemplo recente: durante rondas de mediação no Qatar, Israel lançou ataques aéreos que coincidiram com momentos críticos das negociações, pr...
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A Linha Contínua da Limpeza Étnica na Palestina: Um Debate Para Além da História September 22, 2025 / Pedro Baptista / Edit O conflito israelo-palestiniano é, demasiadas vezes, apresentado como um intricado choque de narrativas equivalentes, uma batalha entre dois povos com direitos em disputa. No entanto, esta perspetiva simplista ignora uma dolorosa linha contínua de expulsão e desenraizamento do povo palestiniano, uma prática que muitos historiadores e juristas identificam, com razão, como limpeza étnica. Esta realidade exige ser encarada de frente, não só pelos factos históricos, mas também pela forma como estes se entrelaçam com questões de moralidade e justificação. Da Partilha ao Desenraizamento: As Sementes da Nakba A génese deste padrão remonta ao rescaldo da Segunda Guerra Mundial. A Resolução 181 da ONU , em 1947, propôs a partilha da Palestina, atribuindo a um Estado judaico 55% do território. Esta decisão era profundamente assimétr...