O Presidente Vai Nu
(Inspirado em “A Roupa Nova do Rei”, de Hans Christian Andersen)
Era uma vez um presidente muito vaidoso chamado Donald. Tão vaidoso, que não se importava com livros, ciência ou arte — apenas com o seu reflexo nos espelhos, os elogios dos seus seguidores e a cor do seu bronzeado.
Vivia numa torre dourada e tinha fatos azuis, vermelhos, brancos, com gravatas compridas até aos joelhos. Mas nunca era suficiente. Queria ser visto como o melhor presidente de todos os tempos, mesmo quando dizia disparates ou inventava coisas que nunca tinham acontecido.
Um dia, apareceram dois "estilistas" muito espertos — uns tipos vindos da televisão e das redes sociais — que lhe disseram:
— Senhor Presidente, podemos fazer-lhe um fato invisível especial. Só os verdadeiros patriotas, inteligentes e fiéis a si é que o conseguem ver. Todos os outros — jornalistas, cientistas, professores, democratas e leitores de jornais — não verão nada.
Donald adorou a ideia. “É genial!”, disse ele. “Vai calar todos os idiotas e mostrar quem é quem neste país.”
Pagou-lhes com promessas, selfies e elogios no Twitter. Eles instalaram-se num palácio e fingiram trabalhar com muito zelo. Não havia tecido nenhum, claro. Só barulho, flashs e discursos vazios.
Os seus conselheiros, com medo de parecer traidores ou “antiamericanos”, iam visitar o “ateliê” e diziam:
— Magnífico! É o melhor fato alguma vez feito! Que estilo, que classe!
Finalmente, chegou o dia do grande desfile patriótico. O Presidente apareceu em frente ao povo com o seu fato invisível — de barriga ao léu, cabelo desgrenhado ao vento, e um sorriso convencido nos lábios.
Toda a multidão, formada por bajuladores, influenciadores pagos e gente com medo de perder o emprego, gritava:
— Viva! Que elegância! Nunca vimos nada assim!
Mas, lá no meio, uma criança segurava um cartaz feito com lápis de cera, onde se lia:
— O presidente vai nu!
Houve um silêncio. Depois, risinhos. Depois, gargalhadas. A verdade espalhou-se como um tweet viral. Mas Donald, com os olhos semicerrados e ar triunfante, continuou a desfilar, dizendo para si próprio:
— São fake news. Invejosos. Eles gostavam era de ter um corpo como o meu.
E assim seguiu, nu como veio ao mundo, coberto apenas por orgulho... e pelos aplausos que ele achava ouvir.
Moral da nova versão
A vaidade, a mentira e o medo de contradizer o poder podem fazer com que até o ridículo pareça grandioso — até que alguém tenha coragem de dizer a verdade. E, muitas vezes, essa coragem vem de onde menos se espera.

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