O Pequeno Guerreiro
Naquele tempo, em África, onde vivia, não havia lojas de brinquedos. Os pais improvisavam presentes
de aniversário e de Natal para os filhos e para os filhos dos amigos. Um dia, deram-lhe um abre-cartas. Era uma pequena réplica de uma espada moura, com cerca de um palmo de comprimento.
Foi então que, numa das sessões de cinema, ele viu um filme de Sandokan ou de algum outro herói destemido que, com suas espadas, realizava feitos inacreditáveis e até cortava a cabeça dos inimigos. Para o menino, aquilo foi o suficiente.
No jardim da casa, os altos cactos transformaram-se em guerreiros perigosos. A pequena lâmina tornou-se uma espada poderosa. E ele, o pequeno guerreiro, travou uma batalha feroz. Com golpes certeiros e destemidos, venceu todos os seus inimigos. Quando a poeira assentou, restavam apenas os cactos decepados no chão.
Quando o pai chegou e viu o cenário de destruição, não houve reconhecimento pela coragem do filho. Não houve uma palavra sobre a bravura da luta. Apenas o cinto, implacável, que se ergueu no ar antes de estalar na pele do menino.
E, mais uma vez, ele aprendeu a lição: qualquer coisa que fizesse, certa ou errada, nunca seria suficiente.
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