O Dia em que o Japão Descobriu a Espingarda… e a Tempura
Em 1543, três portugueses desembarcaram por acaso numa pequena
ilha japonesa chamada Tanegashima.
Não traziam
ouro, nem evangelhos — traziam algo mais barulhento:
espingardas de mecha.
Para os japoneses, foi uma revelação.
Rapidamente
estudaram, desmontaram e replicaram aquelas armas com a precisão
artesanal que os caracteriza.
Num só ano, já havia
ferreiros japoneses a fabricar espingardas em série.
Pouco
depois, integraram-nas nas suas batalhas, alterando para sempre o
equilíbrio de forças no Japão feudal.
🎌 Teppo Matsuri: quando a espingarda se tornou tradição
Todos os anos, a ilha de Tanegashima celebra o Festival
Teppo (Teppo Matsuri) —
uma homenagem histórica à
chegada dos portugueses e à introdução da espingarda.
Há desfiles com trajes do século XVI, encenações da chegada
dos navegadores,
e demonstrações reais com espingardas
de mecha — cópias fiéis das originais.
Mais do que uma exibição militar, o festival é um símbolo de intercâmbio cultural e memória partilhada:
um tempo em que três homens, vindos do outro lado do mundo, mudaram a história de uma ilha… com um disparo e um prato de feijão.
Mas os portugueses não deixaram apenas pólvora.
Também
deixaram azeite quente e feijão-verde.
🍤 Tempura: uma receita com sotaque português
Durante a Quaresma, os missionários lusos comiam “peixinhos
da horta” — feijão-verde envolto em polme fino e
frito.
Esse hábito agradou aos japoneses, que adaptaram a
técnica, refinaram-na com ingredientes locais e criaram a tempura.
O nome, acredita-se, vem do latim ad tempora cuaresme
(“no tempo da Quaresma”).
Hoje, a tempura é ícone da
culinária japonesa —
mas nasceu da dieta de marinheiros e
monges portugueses.
📌 Conclusão
Os portugueses não dominaram o Japão.
Mas influenciaram-no
de forma curiosa e duradoura:
com uma arma que
disparava,
com uma receita que estalava,
e com uma história
que ainda hoje ecoa nos tambores de um festival local.

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