O Manual do Ladrão Ilustre:

 Ou Como Ter Tudo Sem Nunca Ser  Preso


Ah, meus caros leitores, que grande ilusão é esta da Justiça! Aquela Senhora de olhos vendados, com uma balança na mão, que nos ensinam que é cega e imparcial. Que treta! No mundo dos graúdos, dos "Senhores Estados", a Justiça tem uma vista perfeitíssima e um olfato apuradíssimo para... parcerias estratégicas.


O Fio Condutor da Sabedoria (Ladina)

Imaginem a cena: o Zé Manel, nosso humilde larápio de bairro, decide ser ambicioso. Não quer mais roubar galinhas, quer o banco da esquina. Entra, faz a sua "expropriação" de uns milhões e, em vez de fugir para o Brasil, vai diretamente à esquadra. Sim, leram bem. À esquadra!

Lá, encontra o Senhor Doutor Juiz, a beber o seu café com leite. Zé Manel, com um sorriso de orelha a orelha, e uma mala cheia de notas, diz: "Caro Senhor Doutor, trago-lhe uma proposta irrecusável. A mim, o banco já me aborrece. Mas os lucros... oh, os lucros! Que tal se passássemos a ser sócios? Metade para si, metade para mim. Eu continuo a gerir a 'captação de recursos', e Vossa Excelência assegura a 'legitimidade' do negócio. E, claro, ninguém vai preso."

O Doutor Juiz, que até ali só via papéis e bafos de café, arregala os olhos. Metade? Sem chatices? "Mas, Zé Manel", diz ele, limpando a baba do canto da boca, "e a Lei? A decência? A opinião pública?"

Zé Manel ri, descarado. "A Lei, Senhor Doutor, é para quem não tem um bom sócio. A decência? É para os pobres. E a opinião pública... ah, a opinião pública, essa distrai-se facilmente com um bom espetáculo de circo, ou umas manchetes sobre galinhas roubadas, enquanto nós fazemos o nosso trabalho."


A Lição Aplicada à Geopolítica

E assim, meus amigos, funciona o nosso querido palco internacional. Temos leis, claro, montanhas delas. Tratados, convenções, resoluções... Um paraíso burocrático! Mas quando um "Estado-Ladrão" (que, por conveniência, nunca se chama ladrão, mas sim "Agente de Interesse Estratégico Regional") decide "adquirir" uns terrenos ou uns recursos naturais alheios, a coisa muda de figura.

Ele não vai preso. Não vai, porque tem "juízes" (leia-se, potências globais com direito a veto e carteiras cheias) que pensam: "Hummm, se ele me der uma 'parte' do que 'adquiriu' (um contrato de gás, uma aliança militar, um voto na ONU), ou se o prender me der mais chatices do que benefícios... então, se calhar, a Lei pode ter uma 'exceção'. Uma 'interpretação flexível'. Afinal, a estabilidade regional é mais importante do que umas águas territoriais, não é?"

E assim, as riquezas são redistribuídas, os "direitos divinos" são invocados (excelente cobertura para a pilhagem), e a Senhora Justiça... bem, a Senhora Justiça tira a sua venda para piscar o olho aos sócios, e volta a colocá-la para os que não entendem como o mundo realmente funciona.


O Veredito Final (para os ingénuos)

Portanto, da próxima vez que ouvir falar em “violação do direito internacional” lembre-se do Zé Manel e do seu negócio com o Juiz. É uma lição simples, mas poderosa: no grande jogo da propriedade e do poder, a crença na legitimidade é apenas o verniz. O cimento que une tudo é, muitas vezes, o interesse próprio disfarçado de alta moral... e, claro, uma boa parte para quem decide quem vai preso e quem vai ao jantar de gala.

É ou não é uma maravilha esta nossa civilização?


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