O Silêncio Onde Tudo Começa
“O Holocausto não começou em Auschwitz.
Começou com a indiferença.”
— Sobrevivente de Auschwitz
Auschwitz é, para muitos, o símbolo absoluto do horror.
Mas
os fornos, os comboios e os campos não surgiram de um dia para o
outro.
Foram o fim de um caminho pavimentado com
silêncio, normalização e indiferença.
Começou com insultos aceites.
Com piadas toleradas.
Com
leis injustas vistas como “necessárias”.
Com vizinhos a
desaparecerem e ninguém a perguntar por eles.
E hoje? Estamos a assistir outra vez?
Em Gaza, entre o ruído da guerra e o cansaço da opinião pública, os números passam como se fossem estatísticas de trânsito:
Confirmados mortos: pelo menos 54.677 pessoas
— das quais pelo menos 17.400 são crianças
Feridos: pelo menos 125.530 pessoas
Números, sim.
Mas cada número tem um nome.
Um
rosto.
Uma família.
Um futuro que já não será.
E o que fazemos nós?
Vemos.
Desviamos os olhos.
Mudamos de canal.
E
dizemos coisas como:
“É complicado.”
“É política.”
“Sempre foi assim.”
“Não sei o suficiente para opinar.”
Talvez seja verdade.
Mas Auschwitz também começou com essas
frases.
**O problema não é só a brutalidade dos que agem.
É também o silêncio dos que assistem.**
A história já nos ensinou isto.
Mas ensinou em
letra miúda.
📌 Conclusão?
Quando se olha para Gaza, e se evita comentar, partilhar ou sequer
pensar —
não é neutralidade.
É colaboração por
omissão.
E por isso, lembrar Auschwitz não é só um exercício de
memória.
É um dever de presença.
Porque
as tragédias não nascem só de monstros.
Nascem também de gente comum que olha para o lado —
até ao dia em que não há mais lado para onde olhar.

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