Pantera: O Soldado Que Inquieta o Céu


A história tem destas ironias:
às vezes basta um nome numa pedra para abanar um dogma com dois mil anos.

Pantera.
Tiberius Iulius Abdes Pantera.
Soldado romano, sírio de origem, sepultado na Germânia.

Nada de especial — não fosse o facto de alguns, desde há séculos, o apontarem como possível pai biológico de Jesus.


📜 Onde começa esta história?

No século II, o filósofo pagão Celsus, crítico feroz do cristianismo, escreveu que Maria teria engravidado de um soldado romano chamado Pantera — rejeitando o nascimento virginal.

A resposta cristã foi imediata: Orígenes, teólogo e apologista, refutou essa acusação com veemência na obra Contra Celsum.

Mas o boato ficou.

E não ficou sozinho.

No Talmude babilónico, surgem referências satíricas a “Yeshu ben Pantera” — ou seja, “Jesus, filho de Pantera”.
Para muitos estudiosos, essas menções são ecos de uma crítica velada à origem divina atribuída a Jesus, insinuando adultério ou ilegitimidade.


⚡ A faísca e a pólvora

Séculos depois, em pleno século XX, descobre-se uma lápide autêntica com o nome Pantera — um soldado romano que viveu na época de Jesus.

Coincidência?
Sim. O nome era comum entre soldados do império.

Mas mesmo assim, a descoberta reacende o velho escândalo.
Porque agora há uma pedra, um nome real, uma figura histórica — e isso faz faísca onde já havia pólvora antiga: os textos, os boatos, os medos.


🙏 Então… e se fosse verdade?

Provavelmente não é.
Mas a questão já não é factual.
É simbólica.

Porque Pantera representa algo maior:
o desconforto com a possibilidade de que o sagrado tenha passado pela lama.
Que os deuses possam ter ossos.
Que os mitos sangrem.


📌 Conclusão?

Pantera talvez tenha sido apenas mais um soldado entre milhares.
Mas o seu nome, mesmo em silêncio, continua a inquietar.
Não por aquilo que prova — mas por aquilo que insinua.

Porque quando a fé precisa de ser imaculada para ser real,
basta uma pedra com um nome antigo para abalar o templo.

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