Quando É Que Meninos e Meninas Deixaram de Brincar Juntos?
Se passarmos uma manhã a observar uma sala de creche ou de
pré-primária, descobrimos algo espantoso — e tristemente
passageiro:
as crianças brincam juntas.
Sem
hierarquias, sem preconceitos, sem dicionários de género.
Meninos
empurram carrinhos de bonecas.
Meninas constroem torres de
legos.
Riem, correm, discutem e fazem as pazes com a
naturalidade de quem ainda não aprendeu a separar.
Mas depois… algo muda.
📉 Quando começa a separação?
Por volta dos 5 ou 6 anos, os comportamentos começam a
divergir.
Meninos afastam-se de meninas.
Meninas
recolhem-se entre si.
As brincadeiras tornam-se “de meninos”
ou “de meninas”.
E surge o eco das frases que escutam em
casa, na televisão, nas vozes dos adultos que os rodeiam:
“Isso é coisa de rapaz.”
“Menina bonita não grita.”
“Deixa, ele é rapaz — é assim mesmo.”
“Ela é mandona demais para uma menina.”
Frases pequenas, consequências enormes.
🧠 O que dizem os estudos:
A psicologia do desenvolvimento tem sido clara:
As diferenças inatas entre meninos e meninas existem, mas são mínimas.
Coisas como maior sensibilidade auditiva nas meninas ou ligeiro atraso na fala em meninos não explicam os papéis sociais que acabam por assumir.O comportamento é moldado socialmente a partir dos primeiros anos.
Adultos tratam crianças de forma diferente consoante o sexo, mesmo sem se aperceberem.Aos 7 anos, muitas crianças já desenvolveram ideias rígidas sobre o que podem ou não ser, fazer ou sentir — com base apenas no seu género.
⚠️ Consequências negativas dessa educação:
Para os rapazes:
Aprendem que não podem chorar.
Confundem agressividade com força.
Sentem que devem dominar, mesmo quando não sabem porquê.
Crescem emocionalmente amputados.
Para as raparigas:
Aprendem a ceder, a calar, a agradar.
Sentem culpa por liderar.
Têm medo de errar, de falhar, de desagradar.
Crescem com autoestima frágil.
Para ambos:
Perdem liberdade de escolha.
Constroem relações desequilibradas.
Encaram o outro género como estranho ou inimigo.
Tornam-se adultos incompletos — convencidos de que o mundo é assim.
🧭 Conclusão:
A infância mostra-nos que a igualdade não é uma utopia — é
um ponto de partida.
O problema não é o que os
meninos e meninas são.
É o que lhes fazemos acreditar
que devem ser.
E talvez a verdadeira educação comece quando deixarmos de lhes ensinar a diferença, e começarmos a ensinar o respeito.
A linguagem inclusiva, como hoje é usada, muitas vezes reduz uma questão estrutural, profunda e histórica a uma disputa de palavras — como se mudar os termos fosse o mesmo que mudar a realidade.
A luta pela igualdade Escreve-se com escolhas. Com respeito. Com liberdade.
E, de preferência, com menos conversa fiada — e mais realidade partilhada.

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