Roma Está de Volta — Desta Vez, Fala Hebraico
(Crónica
sobre o ciclo que ninguém ousa quebrar)
Dois mil anos depois, a história parece repetir-se.
Mas
desta vez, as túnicas são fardas, as legiões são drones,
e os que antes fugiam… agora mandam.
No século I, Roma dominava a Judeia com arrogância
imperial:
cobrava impostos impiedosos, reprimia revoltas com
crucificações e destruía cidades para ensinar o medo.
Os
judeus eram um povo insubmisso, com memória longa e fé
teimosa.
Resistiram como puderam — e pagaram caro.
O Templo de Jerusalém foi reduzido a ruínas.
A diáspora
começou.
🕎 E o que se passou desde então?
Séculos de exílio, perseguição, guetos, pogroms… e o
Holocausto.
Uma ferida que não cicatriza.
Até que, em
1948, o regresso: o nascimento do Estado de Israel.
Um povo que fora oprimido voltou com força.
A terra que antes era promessa tornou-se realidade… mas habitada.
Começaram novos conflitos, novas diásporas — desta vez, palestiniana.
O ciclo da dor reabriu-se noutra direcção.
O mundo, envergonhado, cedeu espaço.
E o povo que fora
expulso voltou com história na mão, e sede de segurança no
coração.
Mas alguma coisa mudou.
💣 Gaza. Hoje.
O povo que conheceu o exílio… faz muros.
O
povo que viu o seu templo cair… arrasa mesquitas e casas.
O
povo que fugiu da morte certa… decide agora quem vive e
quem morre.
E Gaza arde.
Dia após dia.
Com civis enterrados sob os
escombros, escolas desfeitas, hospitais sem luz, e silêncio
mediático a gritar que “é complicado”.
🛡️ A narrativa da justificação
Roma dizia:
“Fazemos isto pela ordem.”
Israel diz:
“Fazemos
isto pela segurança.”
Ambos querem paz —
mas exigem que a paz seja conquista,
submissão, silêncio do outro.
E quando o outro não se cala —
há bombardeamentos,
punição coletiva, bloqueios, indiferença.
📌 Conclusão?
Quem sofre deve lembrar-se — não copiar.
A memória do exílio devia impedir a construção de novas cercas.
A lembrança do Templo devia proteger a casa alheia.
Mas o ciclo é teimoso.
E a história, quando não é
digerida, volta à boca como veneno.
Hoje, Roma está de volta.
Tem outra língua.
Outra
bandeira.
Mas a mesma brutal lógica:
“Quem discorda… será esmagado.”
⚖️ O paradoxo histórico
O povo que foi exilado, hoje fecha fronteiras.
O povo que foi caçado, hoje usa drones.
O povo que viu o seu templo cair… agora destrói casas, escolas e hospitais.
A memória do sofrimento devia ser vacina.
Mas
em vez disso, torna-se argumento para silenciar,
justificar, retaliar.
E é aqui que a comparação com Roma faz sentido.
Porque
Roma não dominava só com espadas — dominava com narrativas
de superioridade.
Roma dizia: “Fazemos isto pela
ordem, pela civilização, pela paz.”
Hoje, ouve-se: “Fazemos
isto pela segurança, pela sobrevivência, pela história.”
E Gaza que se cale.

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