Sexta-feira 13: O Dia em que o Azar Veste Fobia

Hoje é sexta-feira, 13 de junho de 2025. Para muitos, apenas mais um quadradinho no calendário. Para outros, um pretexto para fazer uma piada sobre o salário que já se evaporou. Mas há quem veja neste dia um palco onde o azar se disfarça de fobia — e até a rotina mais banal se transforma num campo minado de medos, tanto ancestrais como moderníssimos.

A má fama da sexta-feira 13 vem de longe. Uma mistura generosa de mitos nórdicos sobre deuses traídos, do simbolismo cabalístico do número 13 a quebrar a harmonia do 12, e da sempre evocada crucificação numa sexta-feira. Tudo isso temperado com a queda da Ordem dos Templários, também numa sexta-feira, 13. Mas, sejamos honestos: para o comum dos mortais, estas são histórias para contar à lareira — de preferência com um copo de vinho e um gato preto ao colo. O verdadeiro “terror” começa quando superstições e fobias se encontram ao virar da esquina.

O desfile das fobias

Se sofre de triscaidecafobia, o simples facto de o calendário marcar “13” já basta para provocar suores frios. Cada detalhe do dia parece armado contra si. E se o elevador parar no 13.º andar? E se a sua mesa no café for a número 13? É um autêntico “escape room” emocional, sem botão de saída.

Mas o azar não se esgota no número. Pense, por exemplo, no pobre ailurofóbico. Se um gato preto lhe atravessar o caminho hoje, não se trata apenas de uma superstição — é um gatilho para um medo bem real. Não interessa se os felinos negros foram injustamente ligados às bruxas medievais. Para quem tem esta fobia, o coração acelera, os passos travam, e o instinto diz: “fuja”. O azar, neste caso, não é do gato. É de quem o teme.

E as escadas? Ah, as escadas! Para o senso comum, passar por baixo de uma é arriscar-se a levar com um balde de tinta na cabeça — o que, sejamos francos, é apenas bom senso. Mas para quem sofre de batmofobia (medo de escadas ou declives) ou descendofobia (medo de descer escadas), cada degrau é um precipício emocional. E se falarmos de escadas rolantes, a coisa complica: a escalafobia transforma uma ida ao centro comercial numa missão digna de Indiana Jones.

O humor como refúgio

Talvez a melhor forma de lidar com esta sexta-feira 13 seja mesmo rir. Rir das nossas superstições, que muitas vezes mascaram o bom senso (como não deixar a tesoura aberta — não por azar, mas porque alguém se pode cortar). Rir da nossa tendência em ver padrões onde não há, ou em atribuir causas místicas a aquilo que, no fundo, é só azar… ou ansiedade.

Ao fim deste dia em Oeiras, Portugal, talvez a maior ironia da sexta-feira 13 seja esta: transformar o “dia do azar” numa boa oportunidade para nos rirmos das nossas manias, reconhecê-las com carinho e, quem sabe, até partilhá-las com os outros.

Afinal, o verdadeiro azar — para a maioria de nós — não é cruzar com um gato preto, mas abrir a fatura do cartão de crédito no fim do mês. E essa, garanto-lhe, aparece em qualquer dia do ano.

E você? Sentiu algum "azar" hoje… ou conseguiu rir da situação?

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