Ver com Palavras: Uma Noite Estrelada no Interior dos Olhos Fechados

Nem sempre é preciso ver para perceber.
Às vezes, basta ouvir, ou ler — com atenção, com entrega.
Neste post, convido-te a experimentar algo simples mas poderoso: ver um quadro apenas com palavras.
E não um quadro qualquer. Uma das mais famosas noites da história da arte.
Vem comigo… Fecha os olhos. E escuta com o coração.


Ver com Palavras — Uma Noite Estrelada

Não precisas de olhos para ver um quadro.
Basta que alguém te diga as palavras certas —
aquelas que abrem janelas dentro de ti.
Palavras que acendem luzes, que fazem nascer cores,
que desenham no escuro.

Fecha os olhos.

Agora imagina isto:

Uma noite profunda, mas viva.
Um céu tão vasto que parece respirar.
Lá em cima, estrelas que não estão paradas —
dançam, giram, espiralam em grandes redemoinhos de luz.
Como se o céu tivesse alma.
Como se fosse um mar invisível em constante movimento.

No meio de tudo, uma lua dourada, imensa,
paira como um sol sonâmbulo.
Não brilha — incendeia.
E em torno dela, tudo pulsa:
o azul do céu é líquido, feito de tinta e febre,
e as estrelas ardem como promessas.

Lá em baixo, numa colina suave, repousa uma aldeia adormecida.
Casas pequenas, quietas, com telhados escuros e janelas fechadas.
Dormem, talvez ignorando o espectáculo que as cobre.
Apenas uma torre de igreja se ergue, solitária,
apontando ao céu como se rezasse em silêncio.

À esquerda, um cipreste alto e escuro sobe como uma chama ao contrário.
É a sombra da alma —
ou talvez o eco da tua presença ali,
nesse lugar onde tudo vibra.

Nada é calmo, mas tudo é sereno.

Assim é A Noite Estrelada, de Van Gogh.
Não é uma pintura —
é um grito silencioso,
uma oração sem palavras,
uma insónia transformada em beleza.

E se chegaste até aqui… talvez tenhas visto.
Porque as palavras, quando bem usadas, também pintam


Comentários

Mensagens populares deste blogue