Yitzhak Rabin: O Homem Que Assinou a Paz e Morreu com um Tiro nas Costas



Houve um tempo em que a palavra paz foi assinada em frente às câmaras.
De fato escuro, mão firme, sorriso contido, Yitzhak Rabin apertou a mão de Yasser Arafat.
Na Casa Branca.
Diante do mundo.

Foi em 1993.
E nesse gesto — simples, breve, histórico — parecia que o impossível podia acontecer.

Mas Rabin pagou caro por acreditar.

Do outro lado da linha de frente não estavam só os inimigos árabes.
Estavam também os inimigos de dentro.
A extrema-direita israelita, os colonos radicais, os religiosos ultranacionalistas.

Para eles, ceder território era traição.
Reconhecer os palestinianos era blasfémia.
Falar de dois Estados era ameaçar a “Terra Prometida”.

Foi um deles, Yigal Amir, que o matou.
Um estudante judeu ortodoxo, convencido de que Rabin era um traidor.

Três tiros.
No dia 4 de novembro de 1995.
No coração de Telavive, após um comício pela paz.

O tiro não matou só o homem.

Matou o caminho.
Matou o diálogo.
Matou a possibilidade de um acordo entre iguais.

Desde então, Israel mudou — e não para melhor.

As ideias do assassino entraram no poder.
Tornaram-se política oficial.
Transformaram o medo em doutrina.
E a força em método.

Rabin não era ingénuo.

Era general, ex-chefe do Estado-Maior.
Sabia o custo da guerra — e por isso quis a paz.

Sabia que segurança duradoura só existe com justiça.
E que a dignidade de um povo não se garante negando-a ao vizinho.

Hoje, o seu nome sobrevive em placas de rua, em escolas, em discursos de ocasião.
Mas as suas ideias… essas foram enterradas com ele.

📌 Conclusão?

O maior inimigo da paz nunca foi o outro lado.
Foi o medo de ceder.
O ódio que se alimenta do passado.
A fé cega no exclusivismo.

Rabin foi morto por um extremista judeu.
E as ideias desse extremista continuam vivas — hoje, no governo.



“Se a paz foi assassinada em 1995, por que é que continuamos a fingir que se trata apenas de um conflito entre dois povos?”
Talvez porque encarar a verdade exige coragem —
E Rabin foi dos poucos que a teve.

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