A cronologia do segundo mandato de Trump: quando os factos falam mais alto


Desde o início do seu segundo mandato, Donald Trump tem conduzido uma governação marcada por decisões rápidas, polarizadoras e de consequências amplas, tanto no plano interno como externo. Abaixo, apresento uma cronologia organizada dos principais factos que caracterizam esta nova era MAGA — acompanhada da análise das suas repercussões imediatas e latentes.

1. Entraves à entrada de turistas com carimbos de determinados países

A 4 de junho de 2025, Trump assinou uma proclamação que restringiu severamente a entrada de cidadãos de países muçulmanos e africanos. O impacto foi imediato: uma quebra de mais de 12 mil milhões de dólares na indústria do turismo, cancelamentos de voos internacionais, rotas suprimidas e queda expressiva na hotelaria em cidades como Nova Iorque e Las Vegas. A América tornou-se, mais do que nunca, uma fortaleza com portões fechados ao mundo.

2. Deportação em massa de imigrantes

Com o regresso da retórica “law and order”, começaram deportações em larga escala. O efeito? Um país dividido entre o medo e a fúria. Setores como agricultura, saúde e construção ressentem-se já da escassez de mão de obra. A economia informal estremece, e comunidades inteiras vivem sob o espectro da perseguição.

3. Colapso de setores essenciais

Com menos turistas, menos imigrantes e mais tensão social, vários setores ressentem-se. A hotelaria sofre com a quebra de reservas. A agricultura perde trabalhadores sazonais. A construção abranda. E os hospitais, sobrecarregados por emergências sociais e falta de pessoal, enfrentam dificuldades crescentes. A máquina que move os EUA está a engasgar.

4. Retirada definitiva do JCPOA

Ao reafirmar a retirada do Acordo Nuclear com o Irão, Trump desferiu mais um golpe na diplomacia multilateral. O Irão voltou a enriquecer urânio em níveis perigosos e deixou de cooperar com inspetores internacionais. O mundo voltou a ver o espectro nuclear ao fundo do deserto persa.

5. Ataque ao Irão durante negociações

Apesar de afirmar publicamente apostar no diálogo, os EUA — em aliança tácita com Israel — atacaram instalações nucleares iranianas em junho, enquanto decorriam negociações delicadas. Este gesto unilateral quebrou a confiança internacional e empurrou o Médio Oriente para o limiar de um novo conflito.

6. Vetos no Conselho de Segurança da ONU

O veto solitário dos EUA a uma resolução para cessar-fogo e ajuda humanitária em Gaza (14 votos a favor, 1 contra) revelou uma América isolada, disposta a sacrificar vidas e reputação para proteger o seu aliado israelita. O resultado: mais de 58 mil mortos palestinianos e uma ferida aberta na legitimidade moral dos EUA.

7. O apoio a Israel e o caso Francesca Albanese

A relatora da ONU para os direitos humanos na Palestina, Francesca Albanese, acusou Israel de genocídio e foi sancionada pelos EUA — apesar da sua imunidade diplomática. Este episódio marcou o descrédito crescente da diplomacia americana e o colapso da neutralidade em conflitos internacionais.

8. Mega Pacote Legislativo

Internamente, Trump aprovou um pacote legislativo massivo, cujas consequências recaem sobre os mais frágeis: cortes em programas sociais, militarização de fronteiras, criminalização de práticas inclusivas. Para os ricos, menos impostos; para os pobres, mais vigilância.

9. Tarifas de importação e guerras comerciais

As tarifas subiram em todas as direções, mesmo durante negociações. Os produtos encarecem, as empresas retraem-se, e os parceiros comerciais retaliam. A economia interna torna-se refém de um nacionalismo económico que prejudica o próprio consumidor americano.

10. Pressão sobre o Brasil e a sua justiça

Trump impôs sobretaxas a produtos brasileiros como forma de influenciar decisões judiciais no país. Uma ingerência direta nos assuntos internos de outro Estado, que evidencia a nova doutrina: ou segues a nossa linha, ou pagas na alfândega.

11. Apoio à Ucrânia: um volte-face estratégico

Depois de anos a criticar o apoio à Ucrânia, Trump volta atrás e financia militarmente Kiev. Uma mudança pragmática ou uma jogada geopolítica? Seja como for, confundiu a sua base e acentuou as contradições do slogan “America First”.

Quando a cronologia se transforma em advertência

Estes factos, mais do que acontecimentos isolados, formam um padrão. Um padrão de governação que mistura populismo, autoritarismo e instabilidade. E, sobretudo, um alerta: a história, quando ignorada, repete-se — mas com armas mais sofisticadas e consequências mais letais.

Comentários

Mensagens populares deste blogue