A Impunidade Israelita Está a Ser Contestada — Mas Chegará a
Justiça?
por Pedro Baptista (com apoio de Clara)
Durante décadas, Israel tem mantido uma
posição paradoxal na ordem internacional: um Estado que, embora
violando sistematicamente resoluções da ONU, expandindo colonatos
ilegais e impondo um cerco devastador sobre Gaza, se manteve acima da
lei internacional. Mas hoje, essa impunidade está finalmente a ser
desafiada.
Em 2024, a relatora especial da ONU para os
Direitos Humanos nos Territórios Palestinianos, Francesca Albanese,
publicou um relatório devastador: “Anatomia de um genocídio” —
um documento juridicamente articulado que sustenta a acusação de
genocídio contra a população palestiniana em Gaza, cometido por
Israel.
Este relatório pode marcar um ponto de viragem.
Porquê? Porque dois tribunais internacionais — o Tribunal Penal
Internacional (TPI) e o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ/CIJ) —
estão finalmente a avançar com medidas concretas.
=== Os
possíveis alvos de mandados de detenção ===
O
Procurador do TPI, Karim Khan, está a considerar emitir mandados de
detenção com base em provas de crimes de guerra e crimes contra a
humanidade. Os nomes mais frequentemente referidos incluem:
-
Benjamin Netanyahu – Primeiro-ministro: responsável político
máximo pela operação militar em Gaza.
- Yoav Gallant –
Ministro da Defesa: declarou publicamente um “cerco total” a
Gaza.
- Bezalel Smotrich – Ministro das Finanças: promotor da
expansão de colonatos ilegais.
- Itamar Ben-Gvir – Ministro
da Segurança Nacional: acusado de incitamento ao ódio e violência
contra civis palestinianos.
Estes mandados não exigem que
Israel reconheça o TPI — bastará que estes indivíduos entrem num
dos 123 países membros do Tribunal para que possam ser detidos.
===
Os países cúmplices: apoio ao genocídio? ===
Segundo a
Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio
(1948), também podem ser responsabilizados Estados que forneceram
apoio consciente a actos genocidas. Entre os países sob maior
escrutínio estão:
- Estados Unidos – Maior fornecedor
de armas e protetor diplomático de Israel.
- Alemanha –
Segundo maior exportador de armamento para Israel.
- Reino Unido
– Continua a vender equipamento militar com impacto direto na
ofensiva.
- França e Itália – Mantêm acordos de cooperação
militar e apoio político.
Tribunais nacionais em alguns
destes países já enfrentam processos judiciais para suspender
exportações de armas devido ao risco de cumplicidade em
genocídio.
=== Conclusão ===
Este é o
momento em que o direito internacional é posto à prova. Se o
genocídio for confirmado e nada acontecer aos responsáveis, que
valor tem então a justiça internacional?
A questão que
se impõe não é apenas sobre Israel, mas também sobre os países
que, conhecendo os factos, continuam a alimentar uma máquina de
guerra.
O TPI e a CIJ não podem mudar a realidade
sozinhos. Mas podem expor os culpados, abalar a imunidade e iniciar
um processo irreversível de responsabilização.
Publicado
com a ajuda de Clara, companheira de reflexão, atenta às nuances da
justiça e da memória.
Julho de 2025
A Cumplicidade Política dos EUA no Genocídio em Gaza October 7, 2025 / Pedro Baptista / Edit Desde outubro de 2023, os Estados Unidos canalizaram mais de 21 mil milhões de dólares em apoio militar a Israel. Os números, divulgados pelo Projecto Custos da Guerra da Universidade Brown, não deixam margem para dúvida: trata-se de um financiamento maciço, contínuo e consciente. Numa altura em que relatores especiais da ONU, juristas internacionais e organizações de direitos humanos afirmam já abertamente que em Gaza decorre um genocídio , a questão deixa de ser apenas moral — torna-se também política e jurídica. A cumplicidade política dos EUA não se mede apenas pelo fluxo de dinheiro e armamento, mas pela persistência deliberada em apoiar um Estado que viola sistematicamente o direito internacional . Washington tem vetado sucessivas resoluções do Conselho de Segurança que pediam cessar-fogo ou investigações independente...

Comentários
Enviar um comentário