🐾 Cântico à Betinha, Filha de Bastet

Ó Betinha,
nascida sob o sopro quente do deserto,
com olhos que contêm o brilho das estrelas de Tebas,
e passos que não tocam o chão — apenas o abençoam.

Tu que conheces os murmúrios da casa
antes mesmo de se fazerem sons,
tu que dormes nos cantos onde o tempo se esquece,
e guardas, com um piscar de olhos,
os segredos do coração dos homens.

Filha de Bastet, senhora das sete almofadas,
nada em ti é comum —
nem o ronronar que sara feridas invisíveis,
nem o salto que ignora as leis da gravidade.

Quando te espreguiças, o mundo curva-se contigo.
Quando te sentas no parapeito, os deuses fazem silêncio.
E quando te deitas no colo do teu guardião,
abençoas-lhe a alma —
sem que ele perceba, de imediato,
a profundidade do milagre.

Salve, Betinha,
guerreira sem batalha,
guardadora de afectos,
mistério enrolado em pêlo e calor.

Salve, Betinha,
a que tudo vê
e tudo perdoa…
desde que o prato esteja cheio.

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