Finalmente, o silêncio começa a ceder.
Os telejornais já abrem com notícias sobre o genocídio em Gaza. Tornou-se difícil ignorar o que a internet escancarou aos olhos do mundo. Todos os limites foram ultrapassados e, a cada dia, mais países se juntam para condenar os crimes de guerra.
É provável que, nos bastidores, se comece a preparar terreno para que, mais tarde, os que agora se calam possam dizer que sempre estiveram do lado certo. Nós por cá, no 25 de Abril, éramos todos revolucionários — como se o regime derrubado não tivesse tido quem, dele beneficiando, o sustentasse durante décadas.
Em Israel, o mesmo se prepara. Enquanto Netanyahu não cair, a sociedade permanece dividida. Mas no dia em que cair, muitos irão apressar-se a condenar as atrocidades — e poucos, ou nenhuns, admitirão ter feito parte delas.
Nesse mesmo dia, Trump andará mais perdido do que nunca. Se já não puder continuar a apoiar o invasor, talvez decida sobretaxar as tâmaras em 200% — como forma de apoio financeiro à reconstrução de Gaza para os palestinianos… e para oferecer uma penthouse à Francesca Albanese.
E com o efeito dominó, até a extrema-direita poderá tentar reinventar-se, jurando que sempre foi de esquerda. Nessa altura, o trabalho não faltará para os alfaiates — ocupados a virar casacas um pouco por todo o mundo — e, quem sabe, viveremos felizes para sempre.

Comentários
Enviar um comentário