Trump na ONU: o homem que se basta a si mesmo


O discurso de Donald Trump na Assembleia-Geral da ONU não surpreendeu: foi mais um ato de auto-exaltação do que uma reflexão sobre os desafios globais. Ao proclamar que “acabou com guerras” sem ajuda da ONU, Trump expôs não tanto factos verificáveis, mas a sua própria visão do mundo.

O estilo é conhecido: frases curtas, certezas absolutas, desprezo por instituições multilaterais e uma narrativa em que ele surge como protagonista solitário. É a política transformada em espetáculo, onde importa menos a substância do que a projeção de força.

O contraste entre a retórica e

 os factos

Alegações como a de ter “acabado com sete guerras impossíveis de terminar” em apenas sete meses foram classificadas como altamente problemáticas. Muitos desses conflitos eram disputas regionais ou tensões congeladas, e o papel dos EUA, quando existiu, foi frágil ou contestado.

No clima, Trump voltou à sua linha habitual: chamou “fraude” às alterações climáticas e atacou as energias renováveis. Mas a ciência é clara — o aquecimento global é real e causado pela atividade humana — e as próprias energias solar e eólica são hoje, em muitos contextos, as mais baratas.

Quanto à economia, vangloriou-se de uma inflação “muito baixa” e das tarifas alfandegárias como grande vitória. A realidade, porém, era distinta: os preços subiam e os custos das tarifas recaíam sobre consumidores e agricultores americanos.

O silêncio como resposta

A reação internacional, marcada por silêncio cauteloso ou por críticas indiretas, mostra que muitos já perceberam: confrontar diretamente a retórica de Trump é dar-lhe palco. O seu discurso, afinal, acaba por o definir melhor do que qualquer réplica poderia.

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