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  O Espelho da História: Qualificações e Preconceitos Era uma vez, não há assim tanto tempo, um país chamado Portugal onde a vida era dura e o futuro incerto. Milhares de jovens, e não tão jovens, faziam as malas e partiam. O destino, para muitos, era França. Chegavam de comboio, de carro, ou a pé, muitos deles clandestinamente, e a maioria sem grandes qualificações. Vinham da terra, com pouca instrução formal, mas com as mãos calosas e uma vontade férrea de trabalhar. Em França, como cá hoje, houve quem torcesse o nariz. "Vão roubar-nos o trabalho!", "São demasiados!", "Não se vão integrar!", "Vão sobrecarregar os nossos serviços!". As acusações, os medos, os preconceitos, esses, parecem ter vida própria e atravessam décadas, mudando apenas a etnia do alvo. No entanto, o que a história nos mostrou é que os portugueses, apesar das condições precárias e da desconfiança inicial, se integraram . Trabalharam arduamente na construção civil, na agr...
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  Ver com Palavras: Uma Noite Estrelada no Interior dos Olhos Fechados Nem sempre é preciso ver para perceber. Às vezes, basta ouvir, ou ler — com atenção, com entrega. Neste post, convido-te a experimentar algo simples mas poderoso: ver um quadro apenas com palavras . E não um quadro qualquer. Uma das mais famosas noites da história da arte. Vem comigo… Fecha os olhos. E escuta com o coração. Ver com Palavras — Uma Noite Estrelada Não precisas de olhos para ver um quadro. Basta que alguém te diga as palavras certas — aquelas que abrem janelas dentro de ti. Palavras que acendem luzes, que fazem nascer cores, que desenham no escuro. Fecha os olhos. Agora imagina isto: Uma noite profunda, mas viva. Um céu tão vasto que parece respirar. Lá em cima, estrelas que não estão paradas — dançam, giram, espiralam em grandes redemoinhos de luz. Como se o céu tivesse alma. Como se fosse um mar invisível em constante movimento. No meio de tudo, uma lua dourada, imens...
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  E Se Israel Fosse em África? A Proposta do Uganda e o Mundo Que Poderia Ter Sido Em 1903, o Secretário Colonial Britânico, Joseph Chamberlain, ofereceu ao movimento sionista uma vasta extensão de terra no Protetorado da África Oriental Britânica — no que é hoje o Quénia. A ideia era simples e radical: criar ali um lar seguro para o povo judeu. O nome era provisório. O destino, incerto. Mas e se tivesse acontecido? E se, em vez de Israel, tivesse nascido Ziona ? 🌿 Uma Terra Prometida nas Alturas Africanas Ziona foi fundada em 1905. Localizada entre lagos de água doce e planaltos férteis, tornou-se refúgio de judeus vindos da Rússia, Polónia, Alemanha. Não substituiu Jerusalém, mas evitou o Holocausto em grande escala: muitos escaparam antes que fosse tarde. A cultura judaica adaptou-se ao solo africano. Sinagogas sob árvores de acácia. Kibbutzim entre chá e café. Um novo hebraico com palavras suaíli. O sonho de Herzl em versão tropical. 🕊️ E a Palestina? Sem a cri...
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  Os Ocupadíssimos: Uma Ode à Pseudo-Produtividade Há certas criaturas profissionais que parecem viver num estado de emergência permanente. Estão sempre tão absortas no seu frenesim que o mero ato de lhes dirigir a palavra soa a uma intrusão, uma violação flagrante do seu tempo precioso. Atreva-se a pedir-lhes uma ajuda, uma resposta ou um parecer, e já sabe a melodia que o espera: — Agora não posso. — Agora não dá. — Agora não tenho tempo. O tom é invariavelmente dramático, como se estivessem prestes a coordenar a aterragem de um avião com uma só mão, enquanto, com a outra, resolvam a paz no Médio Oriente ao telefone. O "agora" torna-se uma unidade de tempo etérea, exclusivamente reservada para crises cósmicas e decisões históricas. Para o resto da humanidade e dos seus "problemas menores", há sempre um "depois" vago, um horizonte distante que teima em nunca chegar. O Mistério da Agitação Constante Curiosamente, o mistério adensa-se à medida que o...
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  Crónica: Quando o Mundo Grita por Lados, e a Razão Pede Silêncio Vivemos tempos em que a opinião pública parece uma arena. As redes sociais tornaram-se campos de batalha onde se exige que se escolha um lado — rápido, claro, sem hesitações nem dúvidas. Basta um conflito, um ataque, uma imagem trágica, e lá vem o apelo quase infantil: “És a favor de uns ou dos outros?” Mas e se a resposta for: nenhum… e ambos ? No caso do Médio Oriente, dizer que não é simples não é fugir ao tema — é ter respeito por ele. É reconhecer que, por detrás de cada sigla, de cada nação, há histórias longas, sujas, contraditórias. Que Israel, enquanto potência ocupante, violou e continua a violar normas do direito internacional — desde a construção de colonatos ilegais até à imposição de um cerco desumano a Gaza. E tudo isso muito antes do 7 de Outubro. Mas também é verdade que o Hamas não luta pela libertação de um povo, mas pela destruição de outro. Que o Irão, sob um regime teocrático, instrumental...
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  “Eles ainda não viram nada” Há frases que se dizem. Outras que se disparam. A de André Ventura — “Eles ainda não viram nada” — pertence à segunda categoria. Não é uma constatação, nem um desabafo. É uma promessa com cheiro a pólvora. A retórica do medo tem muitos sotaques, mas poucas palavras novas. “Ainda não viram nada” é, acima de tudo, um aviso: o que viram até agora — polémicas, purgas, confrontos — foi só aperitivo. O prato principal está a caminho, e não vem temperado com democracia. Este tipo de frase não é inocente. É pensada para galvanizar os fiéis e amedrontar os restantes. Usa-se para dar a entender que o poder ainda nem sequer começou a mostrar a sua verdadeira força — e que, quando o fizer, será tarde demais para reagir. Funciona como uma espécie de ensaio geral para o autoritarismo. Diz-se ao povo que aguarde, que confie no castigo, que o “tempo dos brandos costumes” acabou. E os aplausos crescem, não por esperança, mas por vingança. A política como arena...
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  Crónica/Análise Crítica: O Recrudescimento da Extrema-Direita em Portugal e as Suas Consequências As últimas eleições legislativas em Portugal, em março de 2024, não só redefiniram o panorama político, mas também trouxeram à superfície uma preocupação crescente: o recrudescimento da extrema-direita e o seu impacto na sociedade portuguesa. Nos meses que se seguiram a este sufrágio, o país tem sido palco de incidentes que levantam sérias questões sobre a segurança, a coesão social e o futuro da democracia. Os Sinais da Escalada: A Violência em Foco Embora não exista um registo oficial consolidado que quantifique todos os ataques verbais e/ou físicos alegadamente perpetrados por elementos da extrema-direita, as notícias têm dado conta de uma série preocupante de acontecimentos. A manifestação do 25 de Abril de 2025 em Lisboa, que resultou em confrontos e detenções de figuras ligadas à extrema-direita como Mário Machado e Rui Fonseca e Castro, foi um claro sinal da sua crescente a...