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  A Palestina que Desaparece: Gaza Hoje, a Cisjordânia Amanhã Durante décadas, o mundo falou da solução de dois Estados como horizonte de paz entre israelitas e palestinianos. Mas essa ideia, tantas vezes proclamada em cimeiras e resoluções, está hoje reduzida a uma miragem diplomática. Gaza está a ser destruída - física, humana e politicamente. E a Cisjordânia seguirá o mesmo caminho. A unidade de investigação Sanad, da Al Jazeera, revelou que entre abril e julho de 2025, Israel destruiu cerca de 12.800 edifícios em Rafah. A cidade, último refúgio para centenas de milhares de palestinianos deslocados, tornou-se uma paisagem de ruínas. Estima-se que 90% das habitações tenham sido danificadas. Não se trata de danos colaterais. Trata-se de um desmantelamento planeado de toda uma estrutura social e urbana. Em paralelo, o Ministério da Defesa de Israel anunciou planos de realocação em massa de civis para áreas fechadas e controladas, que foram já descritas - por líderes...
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 Auschwitz, Gaza e a Indiferença que Mata Visitar o museu de Auschwitz - mesmo que online - é uma experiência que deixa marcas profundas.   As imagens, os objetos, os testemunhos, tornam palpável o horror que ali se viveu.  Mas mais do que isso: confrontam-nos com uma pergunta inquietante - como foi possível o mundo saber... e nada fazer?  Durante a Segunda Guerra Mundial, os Aliados souberam cedo que os judeus estavam a ser perseguidos e deportados.  A partir de 1942, surgiram relatos credíveis sobre o extermínio em massa.  E no entanto, não bombardearam as linhas férreas que levavam a Auschwitz, nem abriram as fronteiras a quem fugia.  As razões foram muitas: prioridades militares, burocracia, ceticismo... e, não raras vezes, indiferença ou até antissemitismo envergonhado.  No final, o "Nunca Mais" tornou-se grito e promessa - mas também um alerta para o que pode acontecer quando o silêncio triunfa sobre a consciência.  H...
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  A cronologia do segundo mandato de Trump: quando os factos falam mais alto Desde o início do seu segundo mandato, Donald Trump tem conduzido uma governação marcada por decisões rápidas, polarizadoras e de consequências amplas, tanto no plano interno como externo. Abaixo, apresento uma cronologia organizada dos principais factos que caracterizam esta nova era MAGA — acompanhada da análise das suas repercussões imediatas e latentes. 1. Entraves à entrada de turistas com carimbos de determinados países A 4 de junho de 2025, Trump assinou uma proclamação que restringiu severamente a entrada de cidadãos de países muçulmanos e africanos. O impacto foi imediato: uma quebra de mais de 12 mil milhões de dólares na indústria do turismo, cancelamentos de voos internacionais, rotas suprimidas e queda expressiva na hotelaria em cidades como Nova Iorque e Las Vegas. A América tornou-se, mais do que nunca, uma fortaleza com portões fechados ao mundo. 2. Deportação em massa ...
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  O Meu Carro e Eu - Pré-Clássicos com Alma Há quem diga que o meu carro é um pré-clássico. Ainda não é antigo o suficiente para ser admirado nas concentrações de domingo, mas já passou a idade em que se lhe exige desempenho. Está num limbo temporal — como eu. Vamos envelhecendo os dois, a um ritmo vagamente sincronizado. Há dias em que o motor dele custa a pegar, e eu também demoro a levantar-me. Ele aquece devagar, resmunga em subidas, precisa de carinho nos travões. Eu também. Levamo-nos um ao outro à revisão: ele à oficina, eu ao médico. Escutamos diagnósticos parecidos — desgaste natural, peças que já não respondem como antes, pequenas falhas que ainda não justificam intervenção mas que convém vigiar. Somos mantidos em circulação por essa arte silenciosa da persistência. Já pensei trocá-lo. É verdade. A promessa de um carro novo, com garantias, conforto, tecnologia. Mas depois lembro-me que nenhum outro me conhece como este. Nenhum outro saberia os gestos instintivos...
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  Análise da Postura do Secretário-Geral da ONU Face aos Eventos em Gaza António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas, tem sido uma figura central na diplomacia global. No contexto dos recentes eventos em Gaza e da apresentação de relatórios que abordam possíveis violações do Direito Internacional, a sua comunicação tem sido objeto de análise. Em 2024, Francesca Albanese, relatora especial das Nações Unidas para os territórios palestinianos ocupados, publicou o documento "Anatomia de um Genocídio". Este relatório sustenta, com base em provas documentais e testemunhos, a existência de indicadores de que foram ultrapassadas as linhas vermelhas do Direito Internacional. Até ao momento , António Guterres não emitiu um comentário público específico sobre este relatório, nem expressou apoio ou preocupação direta relativamente às suas conclusões. Observa-se que anteriores Secretários-Gerais da ONU adotaram abordagens distintas em situações de crise humanitária e alegadas...
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  Trump, a banalização do absurdo Donald Trump está de regresso à presidência dos Estados Unidos e, com ele, uma avalanche de decisões e declarações que desafiam a lógica, a ética e o bom senso. O mais recente episódio -- o elogio ao "bom inglês" do Presidente da Libéria, Joseph Boakai -- não é apenas uma gaffe folclórica. É sintoma de algo muito mais profundo: uma visão do mundo enraizada na ignorância, no paternalismo e numa arrogância estrutural. A Libéria tem o inglês como língua oficial desde a sua fundação, no século XIX, por afro-americanos libertos. Boakai não é um recém-chegado às lides internacionais, mas um político experiente e culto. Ainda assim, Trump mostrou-se surpreso com a sua fluência linguística, como se esperasse menos dele apenas por ser africano. Não é apenas ignorância -- é condescendência. E o mais grave? Pouco ou nada se ouve da comunicação social dominante, que já parece ter desistido de se escandalizar. É esta normalizaçã...
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  O Lobo Mau Vegano vem aí, e já deixou de comer Capuchinhos Vermelhos há muito — agora frequenta retiros de ioga, é influencer de alimentação crua e faz vídeos a chorar sobre o trauma de ser mal representado nos contos tradicionais. O Lobo Mau — versão vegana, sensível e injustiçado Era uma vez um lobo. Mas não um lobo “mau”, como os jornais do reino insistiam em dizer. Este lobo chamava-se Lúcio . Era intolerante à lactose, glutofóbico assumido e praticava jejuns intermitentes desde que leu um post do Dr. Urso. Cresceu na floresta a ouvir histórias horríveis: que os lobos deviam caçar, devorar, disfarçar-se de avós. "Mas eu só queria cultivar lentilhas." dizia ele, de lágrima nos olhos e pulseira de cânhamo no pulso. Um dia, ouviu falar da Capuchinho Vermelho , uma jovem activista com um canal de TikTok sobre bolos sem açúcar e crítica ao etarismo nas fábulas. Lúcio foi ter com ela com um ramo de ervas medicinais. — Trouxe chá de rooibos fermentado, colhid...